sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Do Azerbaijão Accioly manda notícias

Direto do longínquo Azerbaijão*, onde está jogando pelo INTER BAKU, que manda seus jogos no pequeno mais bonito Shafa Stadion, o campeão potiguar Accioly Filho** mandou um recado para Ionaldo Morais, autor desse modesto blog.
"Meu querido Ionaldo!!
Quanto tempo que não nos falamos amigo. Desculpe a demora por enviar notícias, é que estava sem internet e só agora que solucionei todas essas pendências.
Como estão as coisas por aí? Deus permita que bem!
Acabei de ler a matéria sobre o jogo do nosso Mais Querido, empate contra o Avaí.
Gostaria muito de poder estar ajudando o ABC nessa trajetória, pra mim é sempre um prazer defender esse clube onde o jogador é tratado como um verdadeiro profissional e tem todas as condições de trabalho!
Amigo, recebi uma proposta irrecusável de um time do Azerbaijão, o INTER, atual campeão nacional. Já estou aqui a 2 meses, a adaptação foi tranqüila e o país esta em pleno desenvolvimento.
Gostaria de não perder o contato com você amigo, sempre que possível mande notícias.
Um grande abraço e muita sorte ao nosso Mais Querido na seqüência do campeonato.

Accioly Filho"
*A República do Azerbaijão é um país localizado no Cáucaso, na fronteira entre a Europa e a Ásia. Inclui uma área principal, junto ao Mar Cáspio, e o enclave de Nakichevan, a sudoeste. O território principal limita a norte com a Geórgia e a Rússia, a leste com o Mar Cáspio, do outro lado do qual se encontram as costas do Turquemenistão, a sul com o Irã e a oeste com a Arménia. A sua capital é Baku.Considerada uma nação transcontinental, é membro do Conselho da Europa desde 25 de janeiro de 2001.
**Danildo José São Pedro Accioly Filho foi um dos defensores integrante da equipe do ABC F.C. campeão estadual de 2005. Nascido em Salvador/BA no ano de 1981, Accioly é reconhecido pela sua regularidade, garra e segurança na defesa, mas principalmente pelo seu profissionalismo e bom caráter. Até hoje a Frasqueira tem saudade de sua presença na zaga abcdista e a sua volta ao Mais Querido já foi cogitada inúmeras vezes.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

ABC Só Torço por Você!



Vem aí a campanha "ABC FC Só Torço do Você"!
Oportuna a idéia, vamos parar de torcer por times do Rio e São Paulo.
Ser Abcdista é ter orgulho próprio.
QUEM GANHAR COM ESSA CAMPANHA?

1 – Em primeiro lugar, valoriza o que é da terra, o que é verdadeiramente nosso, genuinamente Potiguar!

2 – Com o clube local sendo alvo de maiores interesses, a conseqüência é necessidade de cobertura da imprensa. Assim, descentralizando as notícias da grande mídia, abrindo espaços para outros veículos, dando nativas de buscas e aumento de informações. essa concorrência da mídia só traz mais qualidade na cobertura.

3 – Torcer por um clube de sua região significa ter a chance de ir ao estádio costumeiramente, acompanhar treinos, ter proximidade com os ídolos etc.

4 – Descentralizar as cotas de televisão trazendo capital para sua região.

5 – Com mais torcedores, seu clube pode investir no lado do marketing. Criação de produtos sobre o time da região. Isso gera mais empregos indiretos.

6 – Futebol é lazer! Com um clube forte em sua região é garantia de eventos próximos do local em que mora.

7 – Evita a decadência do futebol no estado menor. Nosso estadual está cada vez mais espremido para priorizar o calendário para os grandes clubes do eixo. A grande maioria dos clubes joga apenas três meses por ano. Futebol é a alegria do povo. O povo gosta de ir aos estádios. O nordestino, mais ainda.

8 – Mais torcedores dos clubes locais significa mais receitas para nossos clubes (ingressos, sócios, vendas de camisas, chaveiros etc.), mais empregos (jogadores, treinadores, massagistas, jornalistas, costureiras, ambulantes, porteiros, lavadeiras, enfim, todos os empregos gerados direta e indiretamente pelo futebol).

9 – E com os times da região forte, teremos como conseqüência a criação de ídolos locais. Com a criação de ídolos próximos, estimula o espelhamento e a prática esportiva.

10 – Diminui a elitização (clubes ricos cada vez mais ricos, e clubes pobres cada vez mais pobres) do futebol brasileiro.
11 – Fortalece até mesmo o futebol do interior que tem nos estaduais a sua única oportunidade de participação.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

SER ABCDISTA*



SER ABCDISTA É ASSIM:
• Abcdista não torce, vibra;
• Abcdista não vence, conquista;
• Abcdista não é povo, é nação;
• Abcdista não enche estádio, lota;
• Abcdista não bagunça, levanta poeira;
• Abcdista não é doente, é fanático;
• Abcdista não chama, convoca;
• Abcdista não se ilude, acredita;
• Abcdista não é uma vez, é até morrer.

Ser abcdista é uma emoção diferente, indescritível, quem é sabe. Quem não é entende.

Ser abcdista é ser inteiro e forte na capacidade de querer. É ter certeza, vontade, garra e disposição. É paixão com alegria, alma com fome de gol e vontade com determinação. É pronunciar com emoção as palavras ardor, garra, paixão, sangue, vencer, vibrar, vontade e superação.

Quando a frasqueira entoa o hino, é arrepiante, quando reza junto então...

É emocionante. a força desta torcida, é sem dúvida o diferencial em todos os jogos, sem falar do espetáculo que a mesma proporciona ao público quando o time entra em campo. Simplesmente sensacional, maravilhoso e fantástico.

Evidentemente, a patada do elefante dói, maltrata e castiga, machuca os adversários e suas torcidas, mas fazer o quê?

Isso é o nosso Abczão.

ABC F.C. é o orgulho, a paixão, a lenda, a história, o amor, a vida, a emoção, as lágrimas, as conquistas, os recordes, o prazer, a vibração, a alegria, a tristeza, o sentimento, a superação, o espetáculo, a raça e a tradição de um povo, de uma cidade e de uma nação chamada frasqueira.

Alô Deus a frasqueira te agradece senhor!!!! Muito obrigado Senhor, por nascer abcdista.

BC, BC, BC, BC, BC, BC alvinegro, alvinegro até morrer!!!

ABC minha história, minha vida, meu amor.

Saudações alvinegras,

Paulo Leite



*Extraído do fórum do www.abcfc.com.br

terça-feira, 13 de maio de 2008

ABC na B - Renascido das Cinzas


A Fênix (em transcrição: phoenix) é uma ave fabulosa, o mais belo de todos os animais míticos que, segundo a mitologia, é capaz de viver vários séculos e depois de morta ressurge das próprias cinzas. Na cabeça possui uma crista imponente, as penas do pescoço são douradas e os olhos brilhantes como estrelas.

Desde de tempos imemoriais a Fênix é vista como símbolo de ressurreição, felicidade, virtude e inteligência. A Fênix é símbolo de luz é a representação do Sol, é um emblema da alma.

O ABC FC é como a Fênix, quando todos pensam que ele sucumbiu à morte, ele renascer fortalecido e pronto para novas conquistas, pronto para encher de alegria a Frasqueira.

Depois de sofrer o calvário do rebaixamento à terceira divisão do futebol brasileiro – porão do futebol – e de descer a mansão dos mortos em 2006 ficando de fora até da terceira divisão, o ABC deu a volta por cima em 2007 se sagrando campeão estadual e depois conseguindo o acesso de volta a Série B do Campeonato Brasileiro.

Os longos anos de nossa Fênix Alvinegra fora da Série B foram de dor e de aprendizado. A queda doeu, doeu no fundo do peito. As lágrimas corriam como rios nos rostos dos frasqueirinos, os corações alvinegros estavam apertados de angustia e frustração, enquanto o arrogante Dragão cuspia fogo e soberba acreditando ter vencido definitivamente a Fênix Alvinegra.

Mas das cinzas da velha Fênix surge o ovo da nova e esse ovo foi crescendo e sendo chocado no seu novo ninho, o localizado na Rota do Sol, na Ponta Negra do bravo e heróico povo Potiguar.

Renascido, o ABC - misto de Fênix e Elefante - aplica cinco golpes no então todo-poderoso Dragão e ele cambaleia e caie atônito.

Passado mais de um ano do renascimento da Fênix Alvinegra e da queda do Dragão, esse último ainda encontra-se ferido, com as chagas abertas, tentando se recuperar.

A Fênix está de volta, agora rodeada por 50 brilhantes estrelas, pronta para enfrentar Dragões, Jacarés, Leões, Tigres e toda a legião de monstros no mundo tenebroso da Série B.

Mas não há nada a temer, em seu ninho a Fênix conta com uma grande manada unidade e corajosa para lhe ajudar nas batalhas.


Vai minha Fênix, voe alto, vai meu ABC brioso as alturas, sem tirar as sandálias da humildade dos pés, alce vôo que a Série B ainda vai ser pequena para você.

sábado, 10 de maio de 2008

50 - Um dilúvio de alegria





"Aquele que obtém uma vitória sobre outros é forte, mas aquele que obtém uma vitória sobre si próprio é todo-poderoso."

(Lao-Tsé)





Já passava das duas da madrugada do sábado para o domingo quando recebi um telefonema de um amigo abcdista.

Alô. Respondi.

Alô, Ionaldo, tudo bem com você? Só tô ligando a essa hora porque sei que você não dorme em véspera de decisão. Falou eufórico, acho que ele havia bebido um pouco.

Tudo bem estava mesmo acordado. Respondi gentilmente.

Amanhã vai ser 5 X 0. Gritou ele.

Vamos com calma o Potiguar é uma grande equipe e a tradição do ABC é de conquistas com muita dificuldade e luta.

Que nada. Gritou ele mais uma vez.

Lembre de calçar as sandálias da humildade amanhã. Alertei a ele.

Trocamos mais algumas palavras e desligamos os telefones. Após essa conversa fiquei ainda mais pensativo, me levantei da cama e fui para a janela, fiquei observando a chuva que caía e pensando que eu poderia está errado, o ABC poderia ganhar o jogo facilmente, afinal o jogo era no Frasqueirão.

Conseguir dormir algumas horas.

Ao acordar a chuva caía forte e continuaria forte durante todo o dia, mas não me preocupei com o andamento da partida, sabia que a drenagem do gramado do Frasqueirão já havia sido testada e aprovada.

Devidamente uniformizado e com minha bandeira alvinegra seguir, ainda no início da tarde e debaixo de uma forte chuva, para o Colosso de Ponta Negra. Lá chegando fiquei, mais uma vez, orgulhoso da Frasqueira que enfrentou um verdadeiro dilúvio para lotar o Frasqueirão e inundar cada canto das arquibancadas do Poema de Concreto com muita alegria. Ninguém queria perder a festa do qüinquagésimo título estadual do ABC FC.

Infelizmente o mais lindo bandeirão do futebol brasileiro não poderia fazer parte da festa, a chuva não permitia, mas em seu lugar vimos um belo desfile de guarda-chuvas e sobrinhas de todas as cores e gostos; diversos e variados como a torcida do ABC.

Na entrada da equipe do ABC não teve fogos de artifício ou bobinas de papel como acontece tradicionalmente, mas a festa da torcida foi a mesma. O calor que vinha das arquibancadas e cadeiras especiais aquecia a todos e especialmente aos atletas que estavam prestes a entrar para história do futebol brasileiro como a primeira equipe a alcançar a marca de cinqüenta títulos estaduais.

Diante da vibração da equipe e da presença maciça da Frasqueira pensei que meu amigo poderia está certo, o ABC poderia ter finalmente um título conquistado em uma final sem muito sofrimento e aí o Bosco, em uma jogada que me lembrou o nosso querido lateral Nego, abriu o placar, ainda aos 7 minutos do primeiro tempo, com um chute em diagonal da entrada da grande área. Tive certeza: “vai ser fácil!”.

Com a vantagem de jogar pelo empate e com um gol no marcador o ABC administrava a partida e tentava explorar o contra ataque.

No intervalo do jogo uma garotinha de cerca de 9 anos me perguntou “de quanto vai ser o jogo” falei confiante “2 X 0 tá bom”, ela sorriu e me dizer que queria 5 X 0 que era para lembrar os cinqüentas títulos do ABC.

Vendo e ouvindo a confiança de todos passei a acreditar que finalmente poderíamos comemorar um título sem sofrer muito e sem o tradicional e torturante sofrimento de costume.

Ainda no início do segundo tempo o melhor jogador do campeonato estadual, Waldir Papel, de costas e lançando a bola sobre o próprio corpo e o de seu marcador, deu um belo passe para Alysson que lançou Vinícius que com categoria e frieza marcou o segundo do ABC.

A essa altura meu coração estava tranqüilo e eu não parava de repetir para todos que finalmente teríamos uma final sem muito sofrimento, ledo encano.

O ABC caiu de produção e o Potiguar de Mossoró marcou o seu primeiro gol aos 9min. Fiquei preocupado e pensei que esse qüinquagésimo título estadual, assim como todos os demais, não seria fácil. Lembrei que penamos na segunda fase do estadual depois de uma brilhante primeira fase e que o ABC e seus atletas precisaram se superar para chegar a essa final e precisaríamos continuar lutando até o último minuto para superar o nosso próprio recorde de títulos.

A equipe de Mossoró continuou no ataque e aos 31min conseguiu o gol de empate. Nas arquibancadas a Frasqueira ficou assustada por alguns instantes e foi possível ouvir a pequena, mas simpática, torcida do Potiguar gritar mais alto que a Frasqueira. Mas foi por pouco tempo, logo a Frasqueira reagiu e voltou a mostrar que o Frasqueirão tem dono.

Daí em diante o jogo ficou dramático e a tranqüilidade inicial se transformou em tensão, especialmente quando o Potiguar vem um gol, felizmente irregular e devidamente anulado pelo arbitro da partida.

A equipe do Potiguar demonstrou garra e qualidade, mas esse título era nosso, fizemos por merecer quando conquistamos a melhor campanha do campeonato.

Com o apito final a Frasqueira promoveu um dilúvio de alegria. Era tanta alegria pelo conquista do título número 50 que ninguém se embotou com a chuva que insistia em cair. A festa entrou pela noite e foi muito boa, afinal não é todo dia que se ganhar o qüinquagésimo título.

Mas de todas as cenas da comemoração não vou esquecer de duas delas: a primeira foi os aplausos da Frasqueira para o time do Potiguar quando esse recebeu o troféu de vice-campeão, reconhecendo a luta e empenho do “Time Macho”. A outra cena foi o nosso veloz atacante Ivan, símbolo de amor ao ABC, que permaneceu o jogo inteiro no banco de reservas, e ao receber o troféu de campeão durante a volta olímpica pegou o troféu e correu em disparada deixando todos para trás, assim como vez com os adversários na conquista de seus quatro títulos estaduais pelo Mais Querido.


Assim a Frasqueira, apesar das justas críticas, saúda todos que fazem o ABC através da figura do Professor Ferdinando Teixeira por mais essa vitória.

Com esse título o ABC superou a si mesmo, bateu seu próprio recorde e abriu definitivamente o caminho para se tornar uma potência do futebol nordestino e futuramente brasileiro. Com essa conquista o ABC aprendeu definitivamente que unido com a Frasqueira pode voar alto.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Tinha que ter sofrimento?

Uma vez me perguntaram: “porque tudo para o ABC é mais difícil, porque todas as nossas conquistas são com sofrimento?” e eu não soube responder. Durante o jogo com o ASSU, na noite do dia 12 de março de 2008 pelo segundo turno do campeonato estadual, fiquei pensando nessa pergunta e na ocasião não achei uma resposta concreta.

Refletindo melhor acho que o problema reside não na falta de resposta a essa pergunta, mas na própria pergunta. A pergunta correta seria: “porque o ABC não desiste nunca, apesar das dificuldades e do sofrimento?” Elaborada dessa forma, podemos tentar encontrar uma resposta.

O ABC é feito do mesmo material do qual são feitos os heróis do dia-a-dia. É feito do caráter de um bom pai, da dedicação da melhor mãe, do amor por um filho, da cumplicidade de um irmão, da confiança de um amigo, da paixão de namorados. O ABC é feito da mesma coragem de homens e mulheres que lutam para sobreviver em uma sociedade desigual e injusta, é feito da mesma garra com a qual os mais humildes enfrentam a vida, é feito da mesma solidariedade que alguns poucos abastados têm com os desfavorecidos. O ABC é feito por gente que sorri e chora, gente que sofre, abainha, cai, mas se levanta e continua lutando com força e dignidade. O ABC é feito por mim e por você. É feito pelo jovem mais humilde da periferia da cidade e pelo empresário mais afortunado e nas arquibancadas do Frasqueirão: eles se abraçam como amigos para comemorar uma vitória ou chorar uma derrota.

Sim! Essa é a única resposta que encontro para essa pergunta. O ABC precisa seguir em frente porque não lhe resta outra saída, é lutar ou perecer, e é isso que lhe faz grande e vitorioso, a necessidade de sobreviver a pesar das dificuldades, o passado glorioso e o sonho de um futuro dourado, o mesmo sonho que alimenta sua apaixonada torcida.

Dessa forma, não vai ser vários jogos sem vitória ou mais uma derrota dentro do Frasqueirão para o Camaleão do Vale (a última foi a quase um ano em 18 de março de 2007 também pelo campeonato estadual) que vai nos fazer desistir, muito pelo contrário.

No ano passado quando perdemos de cinco diante do ASSU em pleno Frasqueirão levantamos a cabeça e demos a volta por cima e agora não será diferente.

O momento é de união. A diretoria e o conselho precisam de apoio e confiança para fazer as mudanças necessárias, os atletas precisam da confiança e ajuda da torcida e a torcida só precisa continuar sendo a boa e velha Frasqueira de sempre.

Precisamos continuar juntos, porque por maior que seja um elefante ele só pode sobreviver e ser arrasador junto com a manada.

Assim vamos continuar juntos e nos inspirar na garra de um novo elefante que só se juntou a manada recentemente, mas já mostrou que sabe honrar a amadura alvinegra inoxidável que veste. Waldir Papel vem cumprindo e honrando seu papel e demonstrando que não faz o papelão de usar salto alto, prefere as sandálias da humildade e se todos seguirem seu exemplo, as vitórias viram.

Acredito nesse grupo e acredito no ABC, confio na conquista do 50º título estadual, mas sei que esse título, como todos os outros 49 anteriores, só será conquistado com muito sofrimento, bem ao estilo ABC.

sábado, 19 de janeiro de 2008

O que dizer?

Impedido, por razões profissionais, de ir ao Frasqueirão ver a segunda apresentação do Mais Querido no Campeonato Estadual de 2008, tive que acompanhar o jogo do ABC X Santa Cruz pela TV União, um sofrimento para qualquer Frasquerino. Enquanto o jogo não começava, lembrei da minha ida à Currais Novos para a partida Potyguar X ABC e de tudo que senti e pensei na ocasião.

O Mais Querido entrou no gramado para sua estréia no Campeonato Estadual. Nas mãos dos jogadores uma faixa com os dizeres “A SAUDADE E O CARINHO DO ABC AO PEQUENO ALVINEGRO FERNANDO NETO”. Vendo a homenagem dos atletas e de todo o ABC ao pequeno Fernando Lemos da Costa Neto, de apenas 4 anos, que nos deixou na última sexta-feira, vítima de afogamento na praia de Muriú, pensei muitas coisas e acabei esquecendo da partida.













Ali em pé nas modestas arquibancadas do Bezerrão em Currais Novos, fiquei olhando a faixa carregada pelos atletas e pensei na dor da família, na dor de Érick Escóssia, pai de Fernandinho e alvinegro dos mais apaixonados e fiéis. Ao meu lado minha futura esposa que estreava na torcida do ABC e visitava pela primeira vez o Bezerrão e a cidade de Currais Novos, direcionei o meu olhar para ela e pensei no filho que planejamos ter e pela primeira vez me senti pai, pela primeira vez pensei na dor da perda de um filho. Ela sorriu melancolicamente para mim como se percebesse o que eu estava pensando.

Olhei rapidamente para o gramado e percebi que o jogo já havia começado. Notei que o gramado encontrava-se em péssimas condições. Voltei a pensar no meu futuro filho, na festa de nascimento, nos presentes alvinegros dados pelos amigos torcedores do Mais Querido, nas roupinhas com a marca do ABC, nos primeiros dentinhos, nas primeiras palavras pronunciadas, na primeira vez dele dizendo BC, BC. Pensei no primeiro aniversário, na bola de espuma no berço antes dele aprender a andar, nos primeiros passos e nos primeiros chutes em uma bola. Pensei nele sorrindo e dizendo “papai”. Pensei na dor da sua ausência, na perda de um filho que ainda não tive e que a minha tristeza não significava nada diante da dor da perda real de um filho.

Alan foi expulso e o ABC ficou com 10 em campo. Logo sofremos um gol e fiquei ainda mais triste. Achei que aquela noite seria de lágrimas, mas o garoto Rodriguinho empatou o jogo em uma bela cobrança de falta. Pensei que a camisa 11 do Mais Querido estava mais uma vez muito bem representada e que Rodriguinho foi forjado do mesmo aço de caráter, humildade, profissionalismo e habilidade que forjou nosso eterno garoto Wallyson.

No intervalo do jogo, segurando a mão de minha namorada com uma bela bandeira do ABC sobre as pernas, fiquei olhando a Frasqueira, a paixão de uma torcida sem limites que rodou mais de 172 km para chegar em Currais Novos, que fez o Bezerrão virar Frasqueirão, que fazia tanta festa junto com a Banda do Elefante que me sentir no Módulo 2 do Maria Lamas Farache.

No segundo tempo o ABC voltou melhor. Rodriguinho valia por dois, Audálio, Bosco, Marcelinho e Waldir Papel fizeram uma boa estréia com a armadura alvinegra inoxidável. Nem parecia que era o ABC que estava com um jogador a menos em campo.

O gol da virada era apenas uma questão de tempo. E aos 30 minutos da etapa final da partida, Rodriguinho, nossa maior promessa, virou o jogo com um gol que demonstrou que ele sabe o que fazer com a bola nos pés. A frasqueira foi a loucura. Daí em diante foi só esperar o apito final.

Agora pela TV vejo o ABC entrar em campo no Frasqueirão para enfrentar o Santa Cruz e mesmo longe penso na ausência do pequeno Fernandinho que adorava entrar em campo com a equipe do ABC e se sentia em casa no gramado do Frasqueirão.

Claro que pela TV a emoção não é a mesma, mas é muito bom ver um canal de TV acreditando e investindo no nosso tão sofrido futebol potiguar. Foi lindo ver mais uma vez o garoto Rodriguinho marcar mais um gol depois de um belo passe de calcanhar de Waldir Papel.

Foi bom ver a Frasqueira e os gols de Bosco, Fábio Costa e especialmente de Waldir Papel, que vez mais uma boa partida e merecia deixar o seu nas redes.

Foi mesmo uma boa partida para o Mais Querido, mas eu continuava pensando no pequeno Fernando Neto e no que dizer para seu pai Érick Escóssia e sua família...

Mas nada que seja dito pode aliviar a dor de um pai, o sofrimento de uma família em um momento desses. Só nos resta desejar força a todos para superar essa perda e para continuar tocando a vida.

Érick Escóssia, a saudade jamais passará, mas a maior homenagem que podemos prestar aos que partiram é continuar lutando pelos que ficaram, é encontrar forças entre as lágrimas para dizer a si mesmo: “vamos em frente!”.

Minhas mais sinceras condolências a você, Érick Escóssia, e para toda a sua família.