sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Que tudo se realize no ano que vai nascer

O ABC é mesmo um clube fora de série, depois de viver em 2006 o pior ano de sua história, deu a volta por cima e em 2007 provou que continua sendo e sempre será o Mais Querido e vitorioso clube do Rio Grande do Norte. Foram tantas conquistas no futebol masculino e feminino, no Futsal e nas divisões de base...

Estamos nos despedindo de 2007 de forma muito diferente da que nos despedimos de 2006, mas depois de uma análise mais cuidadosa arrisco afirmar que jamais deveremos esquecer o ano de 2006. Foi graças a nossas experiências de 2006 que conseguimos as vitórias de 2007 e pavimentamos o caminho para novas conquistas em 2008.

O ano de 2006 teimou e quase não foi embora. Só em 18 de março de 2007 nos despedimos definitivamente de 2006 com uma derrota acachapante de cinco a zero diante do ASSU em pleno Frasqueirão.

Já no dia seguinte começamos o vitorioso ano de 2007. A diretoria agiu rápido, promoveu as mudanças necessárias na comissão técnica e manteve a confiança no grupo de atletas formado.

Com a chegada do vitorioso Professor Ferdinando Teixeira, a equipe ganhou cara nova imediatamente. O professor resgatou a auto-estima dos jogadores e deu um novo padrão de jogo ao time que se sagraria Campeão Estadual do Rio Grande do Norte pelo 49ª vez.

Em 2007, vivemos a mais emocionante final de Campeonato Estadual da história do futebol potiguar, ainda mais emocionante que a final de 1999, quando Marcelo Fernandes nos deu o título em um golaço contra. Quando a crônica esportiva e muitos outros afirmavam que não tínhamos a mínima chance de vencermos o arqui-rival América, mostramos que no futebol não há vencedores ou derrotados de véspera, mostramos que a humildade e o trabalho são o caminho para o sucesso.

Depois do “Massacre do Frasqueirão”, quando o ABC venceu o adversário por um sonoro 5 X 2, o América não encontrou mais o rumo e acabou sendo rebaixado da Série A de forma tão humilhante a ponto do Íbis Sport Club desejar passar para o América o título de pior time do mundo, pelo menos foi o que me contaram.

Sim, foi uma final fantástica, espetacular e eu “Cinco Muito”, mas as chuteiras da humildade são equipamentos mais adequados para a prática do futebol que os salto-altos com os quais o rival costuma entrar em campo.

No Campeonato Brasileiro, vivemos uma decisão a cada jogo e em uma partida emocionante diante do Bragantino conquistamos uma das vagas para a Série B do Campeonato Brasileiro de 2008 e antecipamos o Carnatal, que nesse ano de 2007 se transformou em um verdadeiro ABCfolia.

Foi um ano inesquecível esse de 2007. Vimos a raça de Ben-Hur, a classe de Nildo, as defesas de França e Raniere, os gol de Bebeto, a solidez de Allan, Bruno Lourenço, Fabiano e Adelmo, vimos o surgimento de grandes promessas como Rodriguinho e João Paulo. Tivemos a alegria de ver a volta de Ivan, “O Terrível”, que com sua habilidade e velocidade foi determinante para a conquista do acesso do ABC a Série B, sofrendo pênaltis decisivos e colocando os companheiros “na cara do gol” por varias vezes. Assistimos o amadurecimento de Nêgo como atleta, jogador e artilheiro, vimos o garoto se transformar em um grande profissional, habilidoso no apoio ao ataque, firme na contenção do adversário e decisivo na hora de marcar gols.

Muitos dos heróis de 2007 já nos deixaram e em seu lugar fica a saudade e nossos votos de sucesso em suas novas equipes. Mas um garoto em especial nos deixará uma saudade do tamanho da Frasqueira. O guerreiro menino, Wallyson, agora homem feito, profissional reconhecido pela sua habilidade excepcional e pelo grande potencial de se tornar um craque do futebol brasileiro, deixou o ABC e alçou vôo Brasil a fora. Vá, garoto, buscar seus sonhos, vá encantar o Brasil e o mundo com sua classe e dribles desconcertantes, vá com sua velocidade marcar gols pelos campos da vida, vá que a camisa amarelinha cai bem em você. Aqui ficamos todos torcendo por você e aguardando a sua volta.

Se o ABC deu show em 2007, a Frasqueira foi maravilhosa. Com chuva ou sol forte o Frasqueirão esteve sempre lotado. A Frasqueira não deixou de apoiar o ABC um só instante, mesmo após o ABC ser goleado ou quando tudo levava a crer que o Mais Querido iria “morrer na praia” e não conseguiria o sonhado acesso à Série B, o Frasqueirão foi sempre um verdadeiro caldeirão, onde ninguém conseguiu vencer o ABC durante todo o Campeonato Brasileiro.

Ah! Essa Frasqueira! De onde vem tanta paixão? De que é feita essa torcida?

A Frasqueira é forjada do mais puro aço inoxidável, é feita do sangue e da memória de seus heróis, de homens e mulheres, adultos e crianças que são capazes de abrir mão de parte de suas vidas para se dedicar ao ABC, que são capazes de enfrentar longas caminhadas com um sorriso nos lábios para ver o Mais Querido em campo. Homens e mulheres que se alegram ou choram como crianças nas vitórias e nas derrotas do Time do Povo. Homens e mulheres que não temem sol ou chuva, que não desistem nunca, que acreditam sempre, que desejam apenas o impossível e muitas vezes conseguem contrariar a matemática e a lógica e realizam seus sonhos.

Em 2008, os sonhos desses milhares de loucos pelo ABC continuam e cada Frasquerino irá, se preciso, buscar tomar o céu de assalto para juntos plantar a semente do novo ABC e finalmente conquistar, com trabalho e humildade, um lugar sob a sombra da árvore dos grandes campeões brasileiros.

A humildade foi, é e continuará sendo a marcar maior do ABC, que sabe que só os verdadeiramente grandes são legitimamente humildes e só os humildes merecem legitimamente ser grandes. A arrogância e a prepotência enfraquecem os grandes guerreiros, resseca o coração e cega os olhos.

Que em 2008 cada abcdista possa ser não apenas um torcedor ainda melhor e mais apaixonado, mas um cidadão mais consciente e responsável. Que cada homem e mulher alvinegra possa desfrutar da alegria do futebol e do esporte e possa também desfrutar o melhor da vida. Que todos possam entender que a paz deve ser perseguida dentro e fora dos estádios, que todos possam entender que estamos na vida a passeio e que podemos desfrutar dessa viagem com sorrisos nos lábios e coração tranqüilo.

Assim só nos resta desejar boa sorte a todos os atletas que se despedem do ABC, desejar sorte maior ainda aos que ficam e aos que chegam, para que calçados com suas sandálias da humildade, consigam o tão sonhado 50º título de Campeão Potiguar. Que o Professor Ferdinando Teixeira continue com sua mente iluminada, que o nosso presidente Judas Tadeu continue honrado o ABC com seu árduo trabalho, como sempre fez, ao lado da diretoria e do Conselho. Que o Frasqueirão continue repleto de mulheres e crianças, que os casais de namorados, casados ou não, possam aproveitar a alegria de nossa casa para aumentar seus laços de amor. Que ao final do ano a armadura alvinegra inoxidável possa receber mais uma estrela para fulgurar ao lado das demais conquistas sempre com muita luta e sofrimento.

Feliz 2008 e que tudo se realize no ano que vai nascer.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

HERÓI DO TÍTULO DE 2005, SAÚDA A FRASQUEIRA







Em e-mail enviado a Ionaldo Morais (o humilde cronista que vos escreve), o zagueiro Accioly Filho, um dos principais responsáveis pela conquista do título do Campeonato Estadual de 2005, declara a saudade que sente da Frasqueira. Leiam a mensagem e deixem suas respostas e seu carinho nos comentários, que o blogue se compromete em remetê-los ao eterno craque.

"Como vai vc meu querido Ionaldo? Espero e acredito que esteja tudo bem! Quantas felicidades o Nosso Mais Querido nos deu esse ano né verdade!! O título estadual e o acesso a série "B", grandes conquistas que fizeram nossos corações bater mais forte e encher de alegrias essa Frasqueira apaixonada e empolgante! Caro amigo, queria desejar a vc e toda sua família um Feliz Natal e um 2008 de muita paz, sucesso, saúde, realizações...Enfim que Deus te abençoe hj e sempre! À Frasqueira eu desejo td de bom e um grande abraço desse atleta que morre de saudades dessa apaixonada torcida que eu sinto tantas saudades!

Um grande abraço amigo!


Accioly Filho"

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O vôo do menino

O menino cresceu, cresceu rapidamente, cresceu dá noite para o dia. Cresceu tanto que já é homem feito. Cresceu ali na frente de todos, chorando ao lado do alambrado de sua casa, o Frasqueirão.

De um desapercebido processo, que há muito se acumulava, eclodiu o homem que agora busca conquista o mundo, perseguindo seus sonhos a tanto cultivados. Ali, diante de todos, o Guerreiro Menino chorou como criança pela última vez. Ao deixar jorrar as lágrimas em sua despedida do ABC e da Frasqueira, o garoto Wallysson se transformou em Homem, deixou para trás os folguedos e brincadeiras de menino. O choro contido foi lhe inundando o corpo, se transformando em pranto e afogando a criança que ainda carregava no coração.

Wallysson, ao se despedir do ABC e da Frasqueira se despede também de sua casa, de sua terra e do menino que foi. Deixa para trás o pião e a bola de meia, as bilocas e as peladas na rua; deixa para trás os festejos na chuva, o prazer de anda descalço; deixa para trás as pipas e roladeiras, os banhos de rio e maré, a vontade de ser peixe, as escaladas em árvores; deixa para trás o desejo de ser nuvem, de voar feito passarinho, os carrinhos de brinquedo e os álbuns de figurinhas. Deixa para trás a infância de privações e dificuldades. Deixa para trás o colo de mãe, os dias de menino e em seu lugar entra o profissional, o atleta. Deixa para trás as brincadeiras e assume sobre os ombros as responsabilidades de Homem.

O menino precisa crescer, precisa ser homem, precisar alçar vôo, mas tem medo. Ele sabe que já pode voar livremente, mas o primeiro vôo solo é sempre o mais difícil. Mas não se preocupe menino, todo guerreiro já ficou com medo de entrar em combate, todo guerreiro já teve que fazer o que era preciso, mesmo quando seu coração dizia não. É por isso que és guerreiro, porque sabes, ao contrário de muitos, não apenas o caminho, mas também tens a coragem de segui-lo.

Durante o jogo do “Muito Obrigado” com o Barras a Frasqueira mostrou que pode ter vários defeitos, mas não tem o abominável defeito da ingratidão. O Barras, que ao vencer o Atlético/GO na rodada final do Campeonato Brasileiro da Série C de 2007, permitiu o acesso do Mais Querido a tão sonhada Série B, recebeu todos os agradecimentos do ABC e de sua apaixonada torcida, sendo aplaudido de pé. Assim como todos os atletas e comissão técnica do Time do Povo, em grande parte potiguares ou advindos das divisões de base do ABC. O Barras ganhou também a simpatia e a torcida da Frasqueira que espera vê-lo em breve na Série B.

Mas nessa noite o nosso maior Obrigado foi para Wallyson, que retribuiu agradecendo o apoio e a confiança da Frasqueira e do ABC. Ele, o Guerreiro Menino, recebeu todas as merecidas homenagem e já substituído no jogo, demorou a sair de campo retardando ao máximo a sua despedida.

Vá menino, agora homem-feito, vá voando para terras distantes a procura de seu sonho e não pare de lutar, porque você deixou de ser menino, mas não deve deixar de ser guerreiro. Vá que de agora em diante serás conhecido como Wallysson Furação e logo estarás usando uma nova armadura verde-amarela com a qual irá conquistar o mundo.

Vá, alce vôo para o horizonte, voe o mais alto que puder e se mais tarde cansar de ser homem e sentir saudade de ser criança é só voltar para seu ninho, que aqui estaremos de braços abertos prontos para chamá-lo novamente de nosso menino, nosso Guerreiro Menino. Prontos para agasalhá-lo com sua armadura alvinegra inoxidável com a qual sempre poderá voltar a brincar e ser feliz, porque és filho da Frasqueira e para nós sempre serás um menino.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Zero a zero

Depois da vitória suada diante do Sergipe no Machadão por 3x2, o Mais Querido seguiu para Aracajú com a vantagem do empate.

Em Aracajú nosso medo era que a maré de sorte que o Sergipe mostrou em terras potiguares continuasse, mas felizmente (para nós) a sorte do time vermelho vinha de sua castidade.

É isso mesmo! A sorte do Sergipe vinha do fato de serem todos donzelos (lembram da máxima popular que diz que azar no amor é sorte no jogo?). Mas depois da partida que conseguiram marcar dois gols no ABC, resolverem comemorar e perguntaram para um dos gandulas:

E aí menino conhece um lugar legal para onde podemos ir festejar?

O garoto, com um ar de seriedade, indicou a Rua São Pedro (reduto da boemia popular de Natal, com diversas casas de tolerância) e pacientemente ensinou o caminho. Ah moleque esperto! Lá a castidade, e com ela a sorte, dos jogadores do Sergipe foi embora, pelo menos essa é a versão que me contaram.

O que sei é que em Aracajú foi o ABC que contou com uma sorte danada (um bom time também precisa de sorte!) que aliada com o empenho e raça de nossos jogadores impediu que a bola entrasse no gol de nosso Adriano. Um jogo não recomendado para cardíacos! Vinham bolas por todos os lados, uma pressão de enlouquecer, mas o 0X0 continuava, 45 do primeiro tempo e 0X0, só faltam mais 45 minutos e não precisamos fazer nada, nem precisa que o Sérgio Alves faça algum gol, só precisamos não deixar o Sergipe fazer gols. 10 minutos do segundo tempo e 0X0, 40 minutos, minha nossa não podemos sofrer um gol agora estamos tão perto...45 minutos e ainda 0X0. O louco do juiz queria matar a nação alvinegra do coração e deu 4 minutos de acréscimos e foram 4 minutos de pressão superados pelo ótimo esquema defensivo do professor Flávio Lopes.

Com o apito final do arbitro aquele 0X0 parecia uma vitória magnífica. Viva o 0X0! Isso é que é vitória em 0X0! Goleamos com um elástico placar de 0X0!

Que venha o Treze!

E o Treze veio louco para nos vencer, mesmo que por 0X0.

E o tempo foi passando, passando... E o 0X0 que à apenas uma semana era o nosso motivo de alegria agora parecia uma tragédia. Estávamos em pleno Machadão quase lotado e não conseguíamos marcar gols. A torcida apoiou o time o tempo todo, uma festa maravilhosa, mas a bola não entrava e o 0X0 continuava, em uma partida cercada de rivalidade e disputada palmo a palmo, lance a lance.

Mas na defesa estávamos firmes, Almir Conceição fazia uma partida impecável, até que a cabeça dura do Jones feriu nosso defensor saindo os dois de campo. Substituindo Almir Conceição, Bruno Lourenço também entrou bem e me fez lembrar do time campeão estadual e da Copa RN, que agora estava todo em campo, mas o 0X0 não mudava.

Parei de olhar o placar que não saia do 0X0.

Com Helinho (fominha que só ele) em campo pensei que Flávio Lopes estava ficando louco.

Qual é Flávio Lopes, tá louco? Tá pensando que é o Pareira? Que estória é essa de quadrado mágico? Onde já se viu um time jogar com quatro atacantes? Assim vamos tornar é um gol! Gritava eu desesperado da arquibancada.
Aí o professor resolve substituir o Ivan pelo estreante Fabiano Gadelha. Não tive forças, mas queria gritar: tá doido, Flávio...

Já estava odiando o placar que amei na semana passada quando, aos 32 do segundo tempo, depois de um erro da defesa do Galo da Borborema, Fabiano Gadelha acertou um chute forte, que depois de bater na trave entrou, acabando com o 0X0.

Flávio Lopes, você é um gênio, isso sim que é técnico, nunca duvidei disso! Disse eu para os torcedores que estavam do meu lado.

Mas faltava o nosso ídolo maior desencantar e marcar o seu também. Quando já nos acréscimos do arbitro em uma bola levantada na área que foi caindo na cabeça de Sergio Alves, que estava livre de marcação, a frasqueira ficou de pé para ver o gol do Terror do Machadão, por um breve instante todos ficaram em silêncio, meu coração parou e... Ele cabeceou para fora.

Tudo bem Matador, você tem todo o crédito do mundo, já nos deu tantos alegrias que podemos esperar para ver seus gols de novo.

Final de jogo.

Vamos agora para Campina Grande e o 0X0 passou de novo a ser o placar mais lindo do mundo. Vamos derrotar mais uma vez o Galo da Borborema, nem que seja por 0X0.

Tem que respeitar!

Apesar de estar bem de saúde, ser amado por uma linda garota e não ter maiores problemas financeiros (salva pelo SPC e SERASA, que nesse caso o problema não é meu, mas dos credores, aja visto que não posso pagar minhas dívidas), as últimas semanas tinham sido muito difíceis, faltava alguma coisa e eu sabia exatamente o que era.

O Mais Querido não estava bem, e como não poderia ser diferente eu também não estava bem, faltava a alegria do futebol, a alegria que só a frasqueira tem.

O nosso ABC não conseguia bons resultados no campeonato estadual, a equipe estava com o moral baixo, em cinco jogos apenas uma vitória e sobre um dos lanternas do campeonato.

O Mais Querido era humilhado pelo arqui-rival com piadinhas e chacotas constantes e desrespeitosas, sem nenhum senso desportivo.

Chegou o domingo de clássico rei, o ABC em farrapos estava prestem a enfrentar o seu principal rival: o América (ahg!), o “todo poderoso” América Futebol Clube, um dos líderes na tabela do campeonato estadual, em uma batalha de Davi versos Golias.

Ao chegar no Machadão, percebi que a torcida do ABC era menor que a do América, mas acreditava que isso não continuaria até o inicio do jogo, a frasqueira não iria me decepcionar. Mas o tempo ia passando e nossa torcida não aumentava substancialmente, parei de olhar e me concentrei no gramado, minutos depois ouvir pelo rádio “que era visível que a torcida do ABC era maior que a do América”, foi quando olhei para o lado e vir a polícia ampliando a área reservada para o Mais Querido. Nossa! Pulei de alegria e orgulho da frasqueira que era absoluta maioria no estádio e que continuava apoiado o time mesmo nesse momento de crise.

Quando o time de vermelho entrou em campo quase fiquei surdo com o foguetório, mas pensei comigo mesmo que barulho não ganhar jogo. O América entrou em campo vitorioso, tive a impressão que das arquibancadas os jogadores americanos, assim como seus torcedores, já contavam vitória e faltava apenas cumprir a formalidade dos 90 minutos.

Com o início do jogo, as palavras de ordem cantadas pela torcida americana continuavam a desrespeitar a tradição do Mais Querido.

Parecia que o tabu de quase dois anos sem vitória americana sobre o ABC estava com os minutos contados, o América partiu para cima de nós como um rolo compressor.

Mas o que eles não sabia é que é nessas horas que o Mais Querido fica mais forte e que a força do ABC, vem das arquibancadas e da alma dos seus jogados.

Foi quando aos 12 minutos de jogo, Cláudio mata uma bola no peito e lança Ivan (O Terrível) que mete por baixo das pernas do goleiro para aplica o primeiro golpe no gigante que cambaleou, cambaleou, mas não caiu voltando atacar com mais fúria ainda.

Enfurecido o dragão gigante cuspia jogo pelas ventas, quando aos 43 minutos da primeira etapa Carioca realiza um lindo lançamento para Ivan (O Matador de Dragões), que se livra da marcação e dribla o goleiro para aplicar um golpe que feriu de morte o dragão.

Agonizante o dragão ainda tentou alguns golpes, mas esbarrou em Adriano (Paredão), uma Muralha da China, capaz defender qualquer chute.

Nas arquibancadas vermelhas o que se via era rostos avermelhados de vergonha e uma procissão silenciosa em direção aos portões de saída que em nada lembrava o barulho de antes da partida.

Os que foram para casa mais cedo não viram o matador de dragões, Ivan, meter uma na trave e o golpe de misericórdia dado por Beto que chutou forte, em cobrança de falta, marcando o terceiro gol do alvinegro.

Oficialmente o placar foi 3X0, mas isso só para quem não entende de futebol, porque para a nação alvinegra o placar foi 5X0, se não vejamos: três gols oficiais somados com o grito de “Olé”, acrescido do belo toque de calcanhar de Ivan no final do jogo, igual 5X0.

Foi um jogo verdadeiramente emocionante, mas a cena que mais me emocionou foi ver um torcedor, conhecido apenas por Neto, gritando a plenos pulmões, enquanto chorava e mostrava a sua armadura alvinegra inoxidável, a frase “TEM QUE RESPEITAR!”.

Nessa segunda-feira ao acordar, como quem acorda de um lindo e doce sonho, não conseguir tirar o sorriso dos lábios, ainda estava vestido com minha armadura alvinegra inoxidável (a prova de dragões e gatinhos), fiz questão de dormir com ela para continuar lembrando do espetáculo de domingo e da frase de Neto.

SOMOS REALISTAS, QUEREMOS O IMPOSSÍVEL

Parecia impossível para muitos, mas conquistamos uma vaga para o Campeonato Brasileiro e chegamos até as finais do Campeonato Estadual de 2007.

“Impossível”! Essa palavra não existe no vocabulário do ABC Futebol Clube. É impossível ser pentacampeão? O ABC foi penta duas vezes. É impossível ser tetracampeão? O ABC foi quatro vezes tetracampeão? Vencer dez campeonatos seguidos é impossível? O ABC venceu é se sagrou decacampeão. É impossível vencer 48 campeonatos? O ABC venceu 48 vezes o campeonato estadual e é o maior papão de títulos do Brasil. É impossível para um time de futebol permanecer 100 dias fora de casa? O ABC permaneceu mais de 100 dias excursionando em gramadas da Europa, Ásia e África, enfrentando grandes equipes do futebol mundial e conquistando 14 vitórias, 4 empates e amargando apenas 6 derrotas. É impossível ser campeão em todas as categorias do futebol em um só ano. Na temporada de 1954 o ABC venceu o Campeonato Infantil, Juvenil, Aspirante e Titular. É impossível na atualidade um clube construir, com recursos próprios, um estádio de futebol moderno? O ABC construiu o Maria Lamas Farache, o mais belo poema de concreto, conhecido como Frasqueirão. É impossível um clube possuir a mais apaixonada torcida do mundo, que permanece ao seu lado na vitória e na derrota? A Frasqueira jamais abandonou o Mais Querido e mesmo nos momentos de adversidade dá demonstrações de amor e fidelidade ao ABC. Definitivamente “impossível” é uma palavra que não existe no vocabulário do ABC.

Superamos todas as adversidades e, passo a passo, construímos a jornada épica rumo as finais do Campeonato Estadual de 2007. Sangue, suor, lágrimas e muita raça e superação são as marcas do ABC em 2007. No futuro todos irão lembrar do ano de 2007 como o ano em que o ABC, mais uma vez, contrariou a lógica e o mau agouro e conquistou seu retorno ao Campeonato Brasileiro e uma vaga na final do estadual onde irá enfrentar o arqui-rival, América.

Chegando facilmente as finais, agora o “Golias Vermelho” se arroga campeão por antecipação, imbatível, insuperável, in-ven-cí-vel. E vozes ecoam em ondas de rádio gritando aos quatro cantos que é impossível superar o América, não apenas franco favorito ao título, mas um verdadeiro filisteu, que como Golias nasceu no berço da riqueza, burguês exibido, de espírito vulgar e estreito, grandalhão, turrão, arrogante e presumido.

Mas a força que move o ABC é a mesma coragem que motivou Davi à enfrentar o gigante Golias. A força e a grandeza do Mais Querido só é comum entre os humildes. A coragem do ABC, nascer da fúria dos vendavais em oceanos de superação, nos mares de humildade, no ventre da justiça.

A força do Davi Alvinegro, nascer das lágrimas de sua torcida, do suor do seu torcedor mais humilde, que abre mão de muitas coisas para comprar um ingresso de arquibancada. Nascer da generosidade de seus torcedores mais abastados, sempre dispostos a ajudar. Nasce do grito da Frasqueira que em uma só voz faz ecoam por toda a Cidade do Sol o coro da nação alvinegra por vitória.

Nessas finais o Davi Alvinegro, com seu alforge na mão e sandálias da humildade nos pés, irá enfrentar o arrogante “Golias Vermelho” e em uma luta colossal, poderá repetir o feito de derrotar o América em finais pela 29ª fez.

Outrossim, sejamos realistas, vamos acreditar no impossível e que a pedra atirada atinja fulminante a fronte do gigante, que estuporado e aturdido, irá rugir e urrar, levantando poeira em sua queda aos pés do pequeno Davi e só então, com a cara colada no chão, entenderá as causas de sua derrota ao ver as sandálias da humildade calçando os pés do Davi Alvinegro.

Sandálias da Humildade

Na infância jogamos bola com os pés descalços em campinhos de terra ou no calçamento, quando muito, usávamos o bom e velho Kichute (para os mais novos podemos dizer que Kichute era um tipo de tênis que poderia ser usado como parte do uniforme escolar ou para jogar bola). Ainda na infância descobrimos que as equipes de futebol usavam chuteiras durante as atividades futebolísticas. Descobrimos também, que pelo menos um clube de futebol não usava chuteiras, mas sandálias, sandálias da humildade.

Crescemos e nos acostumamos com meninos jogando bola descalços, times de futebol usando chuteiras e o ABC usando sandálias da humildade, com a mais singela simplicidade que só os verdadeiramente grandes possuem. Sim, porque só os grandes são legitimamente humildes.

Nas últimas semanas descobrimos que além de chuteiras e sandálias da humildade, existe uma equipe que joga bola de salto alto, na verdade altíssimo; um salto 15 pelo menos.

No entanto parece que salto alto não é um equipamento adequado para a prática do esporte bretão, ao contrário das sandálias da humildade que aumenta a disposição de jogar, que estimula o atleta a disputar todas as bolas, que permite o melhor desempenho futebolístico. O salto alto faz a equipe que o usa ficar lenta, parada em campo, derrotada antes mesmo do início da partida e o que é pior, cair da altura do salto alto é muito mais doloroso.

Foi isso que assistimos no último domingo no Frasqueirão. Uma equipe de sandálias da humildade jogou um belo futebol e outra de salto alto, literalmente caiu do salto.

Mas apesar da queda com a cara no chão o hábito de usar salto alto não foi deixado de lado, foi só a partida acabar para a arrogância e a soberba voltar, com acusações falsas, pendengas judiciais, mentiras e fofocas. Nada parecer ser capaz de remover esses saltos vermelhos dos pés desses homens que acreditam em vitória de véspera. Mas quem sabe uma surra de sandália não possa fazer com que eles caiam em si e percebam que é a humildade a mais poderosa arma dos grandes, o segredo dos vitoriosos.

No próximo domingo estaremos no Frasqueirão literalmente incendiando o estádio como fizemos no último clássico e todos - atletas, comissão técnica, diretoria e torcedores - calçados com sandálias ou chinelos da humildade, vamos aproveitar e fazer festa, lutar humildemente até o fim pela vitória, que se não vier não irá calar nosso grito de: ABC ATÉ MORRER!

Raça

O Mais Querido se prepara para mais uma “decisão” no Campeonato Brasileiro, agora diante do Nacional de Patos e leva na bagagem da viajem para Campina Grande um elemento que vem sendo dos mais determinantes para o seu sucesso na competição: a RAÇA!

Sim! Foi com muita raça que o alvinegro potiguar chegou ao octogonal final e mais do que nunca essa raça, essa coragem, essa vontade de vencer, essa determinação pelo sucesso, esse empenho em busca de vitórias será fundamental.

A equipe tem qualidade técnica e habilidade a altura de qualquer adversário, tem craques da envergadura de Wallysson, Nêgo, Juninho Petrolina, Raniere, Ben-Hur e Alan, mas em decisões é a raça que costuma fazer a diferença.

Mesmo na derrota na estréia no octogonal e no empate diante do Atlético/GO em casa, pode ter faltado tudo, mas ninguém pode dizer que faltou raça.

E no clássico nordestino contra o E.C. Bahia o ABC arrancou uma vitória com muita raça dos jogadores e da torcida, que mais uma vez “entrou em campo” e, sem sair das arquibancadas, jogou junto com o Mais Querido, dividindo corajosamente todas as bolas e dando chutões sempre que necessário.

Quando o ABC entrou em campo o lindo e gigantesco bandeirão da Frasqueira estava “enrolado” e não abriu direito, parecia um mau presságio para os mais supersticiosos e o Bahia saiu na frente ainda aos três minutos de jogo e de repente o inacreditável aconteceu: a Frasqueira ficou em silêncio! Coisa rara de se ver. Mas foi por pouco tempo, logo as 14 mil vozes se levantaram e empurraram o Mais Querido para uma virada majestosa ainda no primeiro tempo. Mas o bandeirão continuava “enrolado”, não abrindo adequadamente após os dois gols do ABC, assim como o jogo que continuava difícil.

- Seria alguma macumba baiana? Perguntou uma jovem que pela primeira vez ia a um jogo de futebol. Tímida ela comemorou o primeiro gol alvinegro apenas se levantando e aplaudindo. No segundo gol ela levantou, gritou, pulou como louca, abrasou calorosamente todos ao lado.

Ainda no início do segundo tempo o E.C. Bahia consegue chegar ao empate. A jovem iniciante em futebol já agia como veterana, reclamava da arbitragem e dos passes errados, tecia comentários técnicos e gingava como profissional em arquibancada. Era cada palavrão que fale o registro de alguns: lazarento, pé podre, bexiguento, infeliz das costa oco, abaitolado, chechelento, diabo-a-quatro, frescar, abestado, esculhambado, checheiro de uma figa, fuleragem, ingebrado, marreteiro, atroado (o que é isso?), peia, babaquara, Vá pra ponte que caiu! E outros que não podem ser repetidos. A menina e seu palavreado era um espetáculo à parte. Mas uma coisa não se pode negar ela tinha, como nossos atletas, muita raça só que não na ponta da chuteira e sim na ponta da língua.

Mas parecer que a voz da jovem moça e dos demais presentes conseguiram multiplicar a determinação da equipe que marcou 3X2 e depois 4X2 e o bandeirão abriu defeito, assim como o futebol do Mais Querido, que mesmo sofrendo mais um gol no final do jogo, conquistou uma vitória memorável em um jogo com sete gols.

E a nossa jovem garota, que tenho certeza gostou da experiência e vai voltar outras vezes ao Frasqueirão, soltou mais uma das suas: “Vão se bora bando de madinqueiro do Abaeté. Aqui o ABC não tem medo nem do cão comendo mariola”.

O Elefante estava com Amok

Acabei de assistir pela 49ª vez os gols do “Massacre do Frasqueirão” e só agora me sinto habilitado para escrever sobre tão sublime vitória, sobre tão fantástica goleada, sobre o maior espetáculo da terra potiguar, sobre a final mais deslumbrante dos últimos anos, sobre o título mais difícil das nove décadas de história do Mais Querido.

A jornada foi árdua, como todas as conquistas alvinegras. Tudo que o ABC conquistou em sua história foi com muita luta, garra e suor e não poderia ser diferente dessa vez, mas não prevíamos que fosse tão difícil.

O Mais Querido fez uma campanha irregular: empatou com o Baraúnas, perdeu do Macau, empatou com o Potiguar de Mossoró dentro de casa, perdeu do maior rival e, pior ainda, foi goleado pelo ASSU, em pleno Frasqueirão, por um sonoro 5 X 0.

Tudo parecia está contra o ABC, os adversários, setores da impressa; a sorte.

A auto-estima da equipe estava baixa, os atletas pareciam cabisbaixos, os gols não saíam nunca. Até aqueles que por onde passaram foram artilheiros, não conseguiam colocar a bola para dentro das redes. Mas quando tudo parecia perdido cinco fatores determinaram a reviravolta da equipe. A ação da diretoria que confiou nos atletas e na torcida; o Estádio Frasqueirão, que permitiu aos jogadores exibi seu melhor futebol e aproximou torcida e atletas; a chegada do genial professor Ferdinando Teixeira (que mais do que ninguém merece o título de professor, pelo que fez pelos seus alunos e pelo que faz com seus comandados); a superação e a garra dos atletas que nunca desistiram, mesmo quando as sombras mais escuras pereciam impedir que o sol brilhasse para eles. E especialmente a Frasqueira, que em momento algum deixou de apoiar o Mais Querido, propiciando um show à parte nas arquibancadas.

Todos esses fatores juntos não poderiam dá outro resultado: o Elefante acabou com amok.

Na definição do mestre Nelson Rodrigues “Amok é uma loucura de elefante e que o faz arrasar cidades, a marradas”.

E foi assim na final, todo o time e a Frasqueira enlouqueceu. A Frasqueira nas arquibancadas, cadeiras e camarotes demonstrou que poderia vencer o campeonato literalmente no grito e os atletas dentro de campo se superaram e superaram o todo poderoso Dragão, um mostro gigantesco, mas com os pés de barro.

Foi um confronto de titãs. O Elefante calçado com as sandálias da humildade de um lado e o Dragão de salto alto do outro. A maior torcida do Rio Grande do Norte de um lado e a torcida que sonhar ser a maior do outro. A humildade de um lado e a prepotência de outro. A vontade de um lado a apatia de outro.O alvinegro de um lado e o alvirrubro de outro. Wallyson de um lado e Souza de outro. O sol de um lado e a chuva de outro. As lágrimas da glória de um lado e o choro dos derrotados de outro.

Foi um espetáculo inesquecível, para ser lembrando para sempre, vertiginoso, sublime, in-des-cri-tí-vel. Seria uma perda de tempo tentar descrever o que houver na final do campeonato potiguar de 2007. Só quem testemunhou o “Massacre do Frasqueirão” sabe do que estou falando, quem quiser ter uma idéia (remota) do que falo é melhor tentar ver o videoteipe do jogo.

Foi uma lição de vida na qual os humilhados foram exaltados.

Além de um muito obrigado ao ABC por mais essa alegria, diante de um vitória de 5 X 2 em uma final contra o arqui-rival América, só me resta repetir as palavras do eterno Nelson Rodrigues:

“Não é normal, amigos, não é normal. Essa fúria de gols tem algo de patológico. Quero crer que é realmente o amok que potencializa o nosso quadro e parece torná-lo apavorante, imbatível”.

Que o ataque de amok continue no campeonato brasileiro.

Na Alegria ou na Tristeza

A relação de amor e fidelidade da Frasqueira para com o ABC é única, épica, mitológica, eu diria até mesmo que é celestial.

Não importa o que aconteça, nada, absolutamente nada, separa a Frasqueira do ABC. Não é por acaso que o ABC Futebol Clube é conhecido como o Mais Querido, coisa que de fato ele é, se não sejamos: Existe no mundo outro time que mesmo sem sucesso no cenário nacional ou internacional consegue ter uma torcida tão fiel e apaixonada? Existe outro clube em que a torcida acompanha todas as modalidades com igual paixão? Existe outro time que mesmo sem figurar no noticiário nacional conta com os mais apaixonados torcedores? Certamente a resposta é não para todas as perguntas.

É muito fácil torcer por um grande clube que freqüenta as primeiras divisões do futebol brasileiro, que vence Copa Libertadores ou torneios mundiais e que diariamente aparece com destaque nos noticiários nacionais. Mas quantos clubes sobreviriam a uma terceira divisão? Arrisco dizer que esses clubes de futebol, alardeados pela mídia do sudeste como grandes, fechariam as portas caso ficassem sem vaga para o campeonato nacional, caso ficassem “fora de série”.

Mas se o ABC nunca participou da Libertadores da América, nunca venceu um mundial interclubes, não participa da primeira divisão do campeonato brasileiro a muitos anos, não conta com atletas renomados nacionalmente, a exemplo dos grandes clubes do sudeste, porque esse mesmo ABC é tão amado, porque é o ABC verdadeiramente o clube Mais Querido do mundo? A resposta é simples: porque a Frasqueira ama o ABC pelo o que ele é e pelo o que ele representa e não pelos seus títulos e conquistas ou pela quantidade de vezes que aparecer no Fantástico. O Amor da Frasqueira é incondicional, é sincero, é eterno, não depende de títulos ou vitórias, não aumenta na alegria e não diminui na tristeza. Claro que a Frasqueira chora nas derrotas e quer ver o ABC vencendo e claro que ela sabe que cedo ou tarde o mundo vai se curvar diante do Mais Querido quando ele levantar para todo mundo ver a taça do Mundial Interclubes.

Na verdade o amor da Frasqueira pelo ABC é tão grande que as vezes temo que o Mais Querido vença uma competição nacional ou internacional dada a quantidade de torcedores que certamente irão morrer de alegria (acho que o meu coração também não resistiria).

Caso você acredite que faz parte ou que quer fazer parte da Frasqueira veja se atender aos seguintes requisitos: 01)- A Frasqueira ama o ABC e tão somente o ABC, não torce por nenhum outro clube, podendo o integrante da Frasqueira ter, no máximo, uma leva e despretensiosa simpatia por um time qualquer de outro estado, o que mesmo assim é considerado falta grave; 02)- A Frasqueira “torce pelo estado”, mas tem critério para isso. O estado é alvinegro e se outro time estar vermelho de vergonha em uma competição qualquer, melhor, ficamos felizes com isso; 03)- A Frasqueira é um exemplo de educação, ela xinga até a mãe do adversário, mas nunca comete ato de agressão ou violência; 04)- A Frasqueira é passional, nunca admite para os torcedores adversários uma derrota ou inferioridade, mesmo porque isso nunca aconteceu, quando perdemos a culpa foi normalmente do Juiz ou da qualidade do gramado; 05)- A Frasqueira tem o direito de vaiar sua equipe, mas só no final do jogo; 06)- A Frasqueira até gosta de futebol, mas amor mesmo ela tem pelo ABC que continuará sendo amado mesmo que se torne um time de biloca; 07)- A Frasqueira chora de alegria e de tristeza, mas quando as lágrimas são de tristeza encontra conforto no simples fato de saber que vale a pena chorar pelo ABC; 08)- A Frasqueira não troca o ABC por nenhum outro clube do mundo, seja ele qual for; 09)- A Frasqueira falta casamento, aniversário, batizado e funeral para ir aos jogos do Mais Querido e finalmente 10)- A Frasqueira não desiste nunca! Ela sabe que nenhuma conquista na história do ABC foi fácil e só com muita luta, contra tudo e muitas vezes contra todos, o Mais Querido conquista suas vitórias. Ela sabe que é decisiva na vida do ABC, que um não vive sem o outro.

Muito bem, se você é da Frasqueira saber que não é uma derrota que nos abala e que vamos lutar até o último minuto, porque superação é a marca do ABC e persistência a marca da Frasqueira.

Eu acredito na classificação e que estaremos em 2008 na série B, mais difícil foi a conquista do campeonato estadual e nós arrancamos a vitória com muita garra.

Vai ser na raça, no grito, na marra, mas vamos classificar o ABC para a segunda divisão do brasileiro. E se não for esse ano, paciência, vamos chorar muito, mas nossas lágrimas só irão reafirmar o nosso amor pelo Mais Querido.

ABC, o nossa casamento é para sempre, na alegria ou na tristeza.

BORA BC))) ) ) ) )

Manter as Sandálias da Humildade e Seguir em Frente

Wallyson recebe de Nêgo e vai avançando, avançando, avançando em direção a linha de fundo e, no legítimo estilo Garricha, cruza rasteiro para trás e encontra Nêgo na área que chuta forte e... É GOOOOOL!!!

O gol do jogo Vera Cruz 0 X 1 ABC é uma pequena síntese da participação do ABC na primeira fase do campeonato brasileiro de 2007. Uma demonstração de habilidade do garoto Wallyson, um gesto de garra e empenho do também garoto Nêgo, ambos prata da casa.

Esse foi sem sombra de dúvida o gol mais importante do Mais Querido no brasileiro, não apenas porque assegurou a classificação do ABC para a segunda fase, mas porque provou para todos que o caminho para o futuro do ABC é formar craques em casa e esse gol demonstrou ainda que quando não dá no talento vai na garra mesmo.

Com uma comissão técnica em grande parte potiguar e uma equipe com diversos talentos formados no próprio ABC realizamos uma boa primeira fase e agora só precisamos manter as sandálias da humildade e seguir em frente, um passo de cada vez.

Algumas lições já podemos tirar dessa primeira fase: a)- tradição não ganha jogo; b)- todos os adversários são difíceis; c)- não adianta reclamar dos gramados, quem deseja seguir a diante precisa superar essas dificuldades; d)- série C é guerra, falta estádios de qualidade e condições de jogo, mas sobra vontade a todas as equipes; e)- torcida ganha jogo sim!, f)- os 32 piores times já dançaram, só sobrou pedreira e g)- a pior arbitragem está na série C.

O ABC é recordista de público e renda no brasileiro da série C, tem o ataque mais positivo, é dono do melhor estádio de futebol do campeonato, sua torcida vem apoiando o time em todas as partes, sendo inclusive maior que a torcida da casa em Vitória de Santo Antão. Contamos com Wallyson, de longe o melhor jogador da série C. Mas não podemos deixar isso nos “subir a cabeça”, temos muito por fazer e muito por melhorar, por outro lado os pessimistas, aqueles que não conseguem ver nada de bom continuam atuando forte, com cobranças e críticas que às vezes parece desejar uma seleção brasileira com camisas alvinegras (muito embora para mim o ABC é mais que uma seleção; é o melhor time do mundo). Esses pessimistas são tão exigentes que ao final do jogo ABC 4 X 0 Vera Cruz no Frasqueirão, um deles bradava alto “ééé... o ABC vez quatro gols mas não jogou nada”. É de lascar um comentário desses!

Parabéns a diretória pelo belo planejamento, parabéns professor Ferdinando e comissão técnica, parabéns a todos os atletas.

Para Wallyson não cabe parabéns e sim um sonoro e forte MUITO OBRIGADO, não apenas por ajudar o ABC nessa jornada, mas especialmente por pôr arte e beleza na sofrida série C, tão carente de talentos.

Vamos em frente com os estoques de sandálias da humildade renovados, vestidos com nossas armaduras alvinegras inoxidáveis conquistar novas vitórias ruma a série B onde nossa arqui-rival nos estará esperando.

MÃE, PAI VOLTOU!

Ao acordar nesse domingo a nação alvinegra encontrou um lindo dia de sol na nossa querida cidade Natal e como de costume a maioria nem notou. Sol em Natal é como torcedor do ABC, tem pra dá e vender. Mas esse domingo foi especial, era o domingo do início da “volta por cima”, era o dia do primeiro jogo oficial do Mais Querido depois de longos e dolorosos meses de ausência e saudade.

- “Mãe, pai voltou!”.

Com a mesma alegria que uma criança anuncia a volta para casa de seu pai, a frasqueira se dirigiu em massa a sua casa, o Frasqueirão, para receber o ABC, o verdadeiro pai do Rio Grande do Norte, de volta.

Não dá para acreditar no que é capaz de fazer essa Frasqueira. Quando o Mais Querido entrou em campo foi recebido por 8 mil crianças, 400 delas estavam no gramado e tinham apenas uns poucos anos de idade, as outras estavam nas arquibancadas e demais dependências do Maria Lamas Farache. Todas essas crianças estavam de abraços abertos, como quem espera um abraço de pai.

Um torcedor de cabelos grisalhos falou “essa torcida é foda”. Pensei: “esse é um bom adjetivo. Há coisas que só podem ser ditas com um palavrão”. Como descrever de forma tão sucinta e clara a torcida do ABC, sem usar palavras chulas?

Mas a vida dos alvinegros nunca foi fácil e como não poderia ser diferente o jogo foi duro. O Touro não se curvou fácil ao Elefante, que só marcou seu primeiro e único gol ao 44 do segundo tempo em um chute forte de Valbson, tão forte que a maioria dos que estavam no estádio só viram a bola quando ela parou nas redes do goleiro Flávio, um verdadeiro estraga prazeres, que pegou tudo (ou melhor, quase tudo, que diga o Valbson).

1X0 é pouco, 1X0 ao 44 do segundo é teste para cardíaco. Mas apesar da falta de gols, não faltou raça, disposição ou vontade e vontade é o combustível de qualquer equipe campeã.

Foi mesmo uma grande recepção de boas vindas. Estádio quase lotado, fogos, papel picado, balões, apitos, banda de metais, bateria, bandeiras (como é bom ver as bandeiras de volta ao estádio); a garra alvinegra festejando em paz e ocupando o modulo III do Frasqueirão, que parece ter sido feito sob medida para ela. Só faltou paciência da parte de alguns que preferem cobrar à apoiar. Para esses meninões que só sabem cobrar e cobrar um bom castigo de joelho no milho resolve, já para os que nunca desistem e sempre acreditam, um bom pacote de algodão doce como prêmio.

Anunciem a Natal: “Pai voltou” e com ele nossos sorrisos e alegria e contem a todos a frase que ouvir de uma criança vestida com o uniforme de mascote na saída do jogo: “Pai, como é bom ser ABC!”.

LEVANTA SACODE A POEIRA E DÁ A...

VOLTA POR CIMA. É disso que necessitamos, de uma verdadeira volta por cima, de uma retomada, de uma nova etapa, de uma recomeço. Precisamos de uma volta por cima no nosso passado recente e no campeonato estadual de 2007.

O Mais Querido empatou com o Baraúnas em Mossoró, “tudo bem, resultado normal para uma jogo fora de casa”. Perdemos para o Macau, “tudo bem, o gramado era ruim e foi apenas um acidente”. Empatamos com o Potiguar de Mossoró dentro do Frasqueirão, “tudo bem, o ABC jogou melhor”. Perdemos para o maior rival, “tudo bem, jogamos muito melhor”. Chega de “tudo bem”, não estamos em um comercial de automóveis, queremos uma volta por cima de verdade.

Foram muitos erros durante todo o campeonato estadual e o vexame diante da apenas razoável equipe do ASSU era anunciado, todos já sabiam, menos o cego do Roberval Davino que, no que pese ser um grande técnico de futebol, não se adaptou nem um pouco as necessidades do ABC e aos anseios da Frasquiera, tão acostumada a vitórias e grandes espetáculos. A Nação Alvinegra jamais poderia tolerar um futebol de resultados tímidos, a Nação Alvinegra jamais poderia aceitar uma equipe do ABC jogando na retranca, afinal o ABC só jogar para ganhar, foi assim sempre e assim sempre será.

Todos sabíamos que mais cedo ou mais tarde aquele esquema tático nos levaria ao vexame, só não imaginávamos que teríamos um domingo de páscoa antecipado com direito a muito chocolate.

Sim, chocolate! Foi isso que levamos, só que na nossa páscoa antecipada não tinha coelhinho, mas um feioso camaleão verde.

Porém o maior vexame não foi dos atletas, ou do técnico, mas de alguns poucos torcedores que não entenderam ainda o que é ser abcedista. Abcedista pode sim vaiar sua equipe, mas só quando a partida acaba, abcedista não desiste nunca. Abcedista xinga e grita, mas não grita o nome do adversário contra o do ABC, abcedista protesta, mas não agride fisicamente ninguém. Nesse “domingo de páscoa” todos nós esquecemos um pouco o que é ser abcedista.

Mas é essa a hora de mostramos o que é a Frasqueira e continuar apoiando a nossa equipe. Temos a maior media de pública de todo o campeonato estadual e não será agora que isso irá mudar, somos abcedistas na alegria e na triste até depois da morte.

Sim estamos envergonhados e humilhados, somos vítimas de todo tipo de chacota, mas não vamos deixar de amar o ABC, ou de vestir com orgulho a nossa camisa a qual considero uma verdadeira armadura alvinegra inoxidável.

Seja bem-vindo Ferdinando Teixeira, você será campeão pela quarta vez comandando o Mais Querido.

ABC eu te amo, com vitória ou derrota. ABC eu sempre vou te amar, mesmo que se torne um time de biloca (o que nunca acontecerá, porque o ABC sempre será o ABC).

Termino repetindo para o ASSU a frase que ouvir ao final do jogo de um garoto as lágrimas: “Vai ter volta”.

Lágrimas e Esperança

Já era tarde, muito tarde da noite e continuava a repetir para todos (e para mim mesmo) que estava tranqüilo e confiante na vitória do Mais Querido e na combinação de resultados que nos colocaria na Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol em 2008, quando encontrei um amigo de longas datas, um abcdista apaixonado daqueles que não desistem nunca.

Ele se aproximou de mim com os braços abertos e chorando copiosamente me abraçou como uma criança que pede colo. Esperava de mim uma palavra de conforto e esperança, mas não sabia ele que também precisava encontrar alguém que acreditasse que não iríamos morrer na praia.

- Perdemos de novo fora de casa. 2 X 0 para um time ruim como o Atlético de Goiás, isso é uma tragédia. Falou chorando quando percebi que ele tinha bebido um pouco a mais da conta.

Para animá-lo disse sorrindo que “é mais gostoso quando é difícil”. Ele me segurou pelos ombros com seus mais de 1,80m de altura e olhou para mim de cima para baixo, sem dizer nada, com um olhar de censura que me deixou tão constrangido que baixei a cabeça por alguns longos segundos. Tiver que pensar em algo a dizer.

- Nós não temos o direito de ficar choramingando, hoje é um dos dias mais tristes da história do futebol brasileiro. Sete pessoas morreram e mais de setenta ficaram feridas em um acidente na Fonte Nova em Salvador, justamente no dia do acesso do Bahia a Série B e você me vem dizer que uma simples derrota do ABC é uma tragédia! Falei para ele com a voz firme.

Ele soltou meus ombros e calmamente disse que eu tinha razão, que devemos saber separar a festa e a magia do futebol da vida real, que devemos entender que futebol é só um esporte e que campeonato brasileiro tem todo ano, já a vida das pessoas...

Conversamos um pouco sobre a tragédia da Fonte Nova, sobre o empate do Bahia diante do Vila Nova que prejudicou o ABC e sobre nossas chances de acesso.

Aos nos despedimos marcamos nosso próximo encontro para o Frasqueirão no jogo decisivo contra o Bragantino. De longe ele gritava, enquanto andava de costas, “pode ganhar, pode perder sou ABC até morrer”.

Em casa, deitado na cama, com a cabeça embaixo do travesseiro chorei silenciosamente e fui tomado de vergonha pelo egoísmo de meus sentimentos e pela insensibilidade de minhas lágrimas, que não eram derramadas pelas vítimas da tragédia da Fonte Nova. Embora minha razão me levasse a Salvador, a pensar na crise do futebol brasileiro e nas centenas de vítimas da violência entre supostos “torcedores” e da falta de segurança e estrutura dos estádios, meu coração doía pelo ABC.

Cansado e com o rosto molhado pelas lágrimas, dormir na certeza que acordaria com as esperanças renovadas e com a convicção que nosso papel de torcedor não deve se resumir a acreditar sempre e a torcer, devemos ser mais ativos nos temas que dizem respeito a segurança e estrutura no futebol.

Ainda não acordei, mas ao acordar irei vestir minha armadura alvinegra inoxidável e levantar a cabeça com orgulho de torcer pelo ABC e cheio de esperança vou acreditar até o fim.

ABC eu te amo pelo que és e não pela divisão de que participar!

Guerreiro Menino

“Obrigado, muito obrigado”. Foi a mensagem que nosso menino herói, Wallyson, mandou para Frasqueira na véspera do jogo decisivo contra o Confiança. Ele poderia dizer muitas outras coisas, mas em sua humildade preferiu agradecer o apoio da torcida. Ele poderia pedir aplausos, poderia pedir gratidão, mas preferiu dizer “obrigado”.

Foi a primeira vez que conversei com nosso herói e em seus olhos tiver a certeza de que iremos conquista o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol. Tímido, ainda desacostumado com a badalação de um craque de futebol, ele transmite uma vontade de vencer que só os grandes campeões possuem. Olhando para ele de perto, ouvindo sua voz de adolescente, observando suas roupas e seu boné, vendo seu sorriso fácil emoldurado por um aparelho ortodôntico em um rosto macro e um corpo franzino, me perguntei como uma criança, apenas um garoto, pode ser um craque de futebol com tão pouca idade e tão poucos músculos? A resposta estava em seu olhar! Não é um olhar comum é um olha de menino, ingênuo e infantil, o olhar de criança que olha as estrelas e sonha em ser astronauta, um olhar de menino para o doce da vitrine.

Wallyson fala do acesso a Série B como um menino que fala do seu desejo de ganhar a primeira bola ou a primeira bicicleta. Ele fala em vencer com a simplicidade e a pureza de uma criança que disputa uma pelada na rua com o ímpeto de uma final de mundial.

Tenho certeza que esse garoto sabe das dificuldades, mas elas não o assustam, muito pelo contrário, é delas que ele tirar motivação para continuar lutando, assim como uma criança que sente prazer em ter medo de estórias de assombração.

Mais uma vez Wallyson foi decisivo para a vitória do Mais Querido diante do Confiança, marcando o único gol da partida. Diante da Frasqueira que lotava o Frasqueirão promovendo, como de costume, um espetáculo que nenhuma outra torcida do mundo sabe realizar e diante do cantor Raimundo Fagner (que certamente jamais vai esquecer essa partida de futebol e essa torcida chamada Frasqueira), Wallyson foi a síntese do ABC FC dentro de campo, foi um guerreiro menino. Penso que vendo a habilidade e o espetáculo do nosso herói o cantor deve ter pensado que seus versos poderia ter sido feitos perfeitamente para ele, afinal...“Guerreiros são pessoas/São fortes, são frágeis/Guerreiros são meninos/No fundo do peito”.

Imagino que Fagner ainda não parou de comentar sobre a Frasqueira, o Frasqueirão, sobre toda a equipe do ABC e especialmente sobre o guerreiro menino Wallyson, que com sua armadura alvinegra inoxidável deu vida as versos do poeta:

(...)
Corre dispara pára ginga e zás
(Corre dispara pára ginga e jazz)
Mais um zagueiro vai pro chão
Esse já era não levanta mais
Outros virão
Finta canhota voa samurai
Lá vai a bola bala de canhão
Seu pé direito é a bomba que distrai
O esquerdo é o coração

Um belo drible
Decide o jogo
No grande baile do futebol
Só um artista
(...)
Acende a tarde inventa o sol


Wallyson, vendo os olhos de carinho e orgulho de sua mãe lhe assistindo jogar, percebi o quanto você é querido por ela e pela Frasqueira. Cada torcedor do ABC, mesmo os mais jovens, te olham com olhos de pai e mãe orgulhosos. A Frasqueira se sente um pouco pai e mãe de você, assim como tenho certeza que você sempre vai carregar consigo o orgulho de ser filho da Frasqueira.

Guerreiro Menino, você não nos deve nenhum obrigado, o amor e admiração que a Frasqueira lhe oferece vem sendo retribuído em campo por você e por todos, ou disse todos os atletas e pela comissão técnica do Mais Querido. A Frasqueira gosta de bom futebol e de craques habilidosos, claro, mas o que ela exige de seus jogadores é garra, vontade de vencer e isso sobra no ABC, sobra em cada atleta que, mesmo com limitações técnicas, se supera na raça respeitando a camisa alvinegra que já vestiu o corpo de Hélio Show, Alberi, Danilo Menezes, Maranhão, Libânio, Dedé de Dora, Sérgio China, Sérgio Alves, Robgol, Schumacher, Reinaldo Aleluia e tantos outros tão a mais craques que esses.

Foi uma festa maravilhosa e uma classificação no bom e velho estilo do Mais Querido, com sofrimento e drama. Quando muitos nem acreditavam o ABC conseguiu três vitórias seguidas superando o seu momento mais difícil no campeonato nacional e a Frasqueira demonstrou seu amor e seu agradecimento cantando o hino do ABC e o nome de cada jogador. Mas a maior de todas as homenagens foi oferecida involuntariamente por um casal de jovens que, após o gol da classificação, deu o seu primeiro beijo. Uma homenagem singela, um gesto de amor que emociona o poeta que vos escreve, mas como já dizia o grande Fagner: “Chorar é bonito e não faz vergonha/Eu só acredito no homem que chora e sonha”.

Frasqueirão

Indo para a inauguração do Estádio Maria Lamas Farache, nosso agora real e lindo FRASQUEIRÃO, muitas coisas passarão em minha cabeça: o rebaixamento para a terceira divisão (que humilhação!), os quadro anos sem ganhar nada, a desclassificação nos pênaltis em Campina Grande para o Treze no último campeonato brasileiro... Mas lembrei de uma coisa em especial, que quando surgiu a idéia de construção de um estádio próprio para o ABC fui terminantemente contra, achava loucura trocar o pouco patrimônio do ABC por um estádio que nunca seria terminado e que levaria toda a receita do ABC em conservação e manutenção. Eu odiei Judas Tadeu com todas as minhas forças, odiei todos aqueles que na minha opinião eram loucos porque sonhavam com um estádio próprio.

Ao entrar no FRASQUEIRÃO pela primeira vez com sua torcida presente tive a certeza que a loucura tinha vencido e que felizmente eu estava errado, o FRASQUEIRÃO é real e viável.

Não era a primeira vez que visitava o FRASQUEIRÃO, mas me senti como se nunca estivesse estado ali, o estacionamento lotado, a movimentação de torcedores com camisas e bandeiras alvinegras, as torcidas organizadas, os amigos do Alecrim, a fila na bilheteria; deram vida ao concreto, transformaram o que era uma obra de construção civil em um legítimo e belo estádio de futebol.

No interior do FRASQUEIRÃO eu olhava para os lados com olhos de criança que visita uma loja de doces, tudo era lindo e prazeroso!

Durante a solenidade de inauguração do nosso FRASQUEIRÃO, um de meus amigos que chorava discretamente me perguntou se eu também estava chorando, levei as mãos ao rosto secando as lágrimas e disse que não, disse que era apenas a poeira do concreto novo que havia caído em meus olhos. Eu estava com muita vergonha, não era vergonha por chorar de alegria por um feito do Mais Querido, pois costumo chorar sem nenhuma vergonha nas vitórias e derrotas do ABC, a vergonha que sentia, enquanto ouvia as palavras singelas e emocionadas de nosso presidente Judas Tadeu Gurgel, era a vergonha dos que estavam errados, a vergonha dos que torceram contra o FRASQUEIRÃO, a vergonha dos que não apoiaram o clube quando ele mais precisou, sim eu estava com vergonha, vergonha de mim mesmo.

Olhei para cima e um lindo passarinho preto e branco sobrevoava o estádio, foi então que percebi que um avião passava sobre nossas cabeças deixando duas colunas de fumaça branca, nesse momento me senti melhor comigo mesmo e pensei que aquele avião de alguma forma estava, como aquela ave, homenageando o Maria Lamas Farache e se eles poderiam fazer isso sem culpa eu também poderia deixar para trás as minhas opiniões do passado e torcer pelo futuro, eu também poderia pedir desculpas a Judas Tadeu e a diretoria do ABC.

Me voltei para o meu amigo e agora sem esconder as lágrimas deu um largo sorriso e o abracei dizendo O FRASQUEIRÃO É NOSSO!

Quanto ao jogo e o estado do gramado não sei dizer nada, o que soube do jogo, soube pelos amigos e pelo rádio após o jogo, durante a partida só consegui ficar olhando para o estádio, para a torcida feliz e imaginando como será linda a nossa casa própria depois de pronta.

QUE A LOUCURA CONTAMINE A TODOS OS ABCEDISTAS E VAMOS VESTIR NOSSAS ARMADURAS ALVINEGRAS INOXIDÁVEIS E FAZER ECONOMIAS, PORQUE NÃO TARDA O DIA EM QUE CHEGAREMOS A TÓQUIO.

Feliz aniversário

Há 92 anos nascia o mais antigo clube de futebol em atividade em Natal, capital das belas terras potiguares, clube esse que imediatamente se tornaria o Mais Querido.

Esse momento de festa e alegria de toda a nação alvinegra pela passagem de mais um ano de fundação do ABC Futebol Clube me fez pensar em algo estranho: “e se o ABC não existisse?”, “e se o mais belo de todos os clubes do planeta terra não tivesse sido fundado?”.

De repente fui tomado por uma estranha tristeza e por um medo sem sentido; pelo medo de perde o ABC, pelo medo de não tê-lo mais por perto e entre nós. Consegui imaginar o mundo e a vida sem futebol e acho que todos nós poderíamos ser perfeitamente felizes sem ele, haveria outros esportes coletivos, esportes praticados com bola. Mas se não existisse bola alguma? Se todos os esportes fossem praticados sem bola? Como seria o mundo sem ela, a bola, que une pessoas e nações sobre um mesmo idioma esférico? Depois de uma reflexão concluir que poderíamos viver felizes em um mundo sem bola. Então me fiz a seguinte perguntar: “poderíamos viver sem o ABC?” E rapidamente me veio à cabeça imagens, como cenas de um filme, de minhas idas aos treinos do ABC, levado por meu pai. Momentos de alegria que vivi ao lado dele, que apenas me guiava pela mão sem dizer onde iríamos (e nem precisava), sem falar uma só palavra assistia em silêncio todo o trabalho de preparação da equipe; ao termino do treino se levantava e simplesmente me estendia a mão e me guiava de volta para casa. Tempos depois entendi o motivo de só irmos aos treinos e nunca aos jogos: não tínhamos dinheiro algum para pagar os ingressos. Lembrei da primeira camisa oficial que ganhei do ABC e do esforço que meu pai fez para me dá tão valioso presente. Lembrei dos times de botão decorados com as cores alvinegras feitos, por mim mesmo, com caixas de fósforo ou quando, com sorte, com sobras de acrílico de janela de trem, encontrado no lixo da estação ferroviária do bairro da Ribeira. Sentir saudade das camisetas brancas (geralmente originárias de campanhas eleitorais) que pintávamos à mão com as letras “ABC” para jogar peladas nos campinhos de terra, com elas nos sentíamos poderosos e vencedores, verdadeiros profissionais com seus uniformes em uma pelada de bairro. Lembrei que ainda guardo recortes velhos de jornais e álbuns de figurinha com fotografias e posters das vitórias do Mais Querido. Lembrei que nunca ganhei uma bola de verdade de presente, nem mesmo uma bola de borracha Canarinho, mas que minha mãe me fez com dedicação e amor as mais belas bolas de meia que já conheci, com as quais jogava, muitas vezes sozinho, batendo a bola contra uma parede e imaginando ser Curió, Dede de Dora, Djalminha, Reinaldo, Quinho, Tião, Odilon, Zinho e tantos outros que a memória não permite citar. Revivi o desejo frustrado de ser jogador de futebol profissional e entrar em campo, pelo menos uma vez, com a Frasqueira gritando meu nome entre os jogadores escalados para sair jogando. Lembrei do sonho, ainda não realizado, de ver o ABC campeão do mundo no Japão. Senti novamente as pernas cansadas, como se estivesse em pé tentado, da geral, ver o ABC jogar. Senti em meus cabelos mais uma vez a mão de Ruy Barbosa me cumprimentando quando era garoto. Perguntei-me por onde anda Isabel, namoradinha que conheci nos jogos do ABC. Alegrei-me por ter conhecido muitas cidades em minha peregrinação atrás do Mais Querido. Fui tomado de saudade dos amigos que fiz na Frasqueira. Lembrei dos títulos, especialmente do tri em 99, conquista que mais me marcou até a de 2007 (cinco muito!), dos mais belos gols, da vibração única da Frasqueira e das maiores derrotas, como não lembrar? Chorei novamente lembrando da vaga na primeira divisão que nos garfaram diante do Paysandu, da derrota injusta na final de 96 e do rebaixamento para a Série C do Brasileiro. Chorei de novo com a frustração de ver o ABC fora de série em 2006.

Depois de revive esses sentimos, percebi que talvez seja até possível a vida sem o ABC, mas tenho uma certeza: sem o ABC não há vida feliz e completa! Sem o espetáculo das armaduras alvinegras inoxidáveis que vestem os corpos dos atletas do Mais Querido a vida fica vazia e tediosa. Sem o meu ABC sou órfão de mim mesmo, vazio de paixões, carente de alegrias.

Não sou um dos torcedores mais apaixonados do ABC e posso dizer, que sem ele deixo de respirar porque é ele o meu ar, é ele que dá razão de ser as coisas.

Digo isso, porque vejo diariamente provas de amor que só a Frasqueira proporciona a um clube de futebol ou de qualquer esporte; homens e mulheres que usam seus últimos trocados para comprar um ingresso para os jogos, muitas vezes deixando de pagar uma conta ou de presentear os filhos com um brinquedo. Vejo diariamente, homens e mulheres, que abrem mão do convívio social com suas famílias para assistir o ABC. Vejo diariamente, homens e mulheres, jovens e adultos, dedicarem mais tempo ao ABC do que a eles próprios. Vejo diariamente demonstrações de amor incondicional ao ABC, seja no futebol ou em qualquer esporte, seja em um jogo com uma seleção como a da União Soviética, ou em uma partida singela de uma equipe das divisões de base do ABC.

A Frasqueira é a torcida mais apaixonada do mundo, ela ama tão somente o ABC porque ele é o ABC, na vitória ou na derrota, um amor gratuito, desinteressado. A Frasqueira não troca o ABC por nenhum time do mundo, nem por uma carrada de times campeões mundiais, porque a Frasqueira não ama o ABC pelos seus títulos e conquistas, ou pela divisão em que se encontra no futebol, ela ama o ABC porque o ABC é o melhor e esse amor é retribuído. Muitos poderão dizer que isso já deixou de ser amor e passou a ser fanatismo, chame como quiser, o fato é que só quem é abcedista sabe como é bom torcer pelo ABC.

Desejo um feliz aniversário ao Mais Querido. Como presente lhe ofereço meu amor e em retribuição lhe peço apenas que continue existindo, que continue sendo o mesmo ABC de sempre.

Meu ABC a vida sem você seria, não apenas incompleta, mas muito mais triste.

PARABÉNS MAIS QUERIDO!!!

A Mandinga dos Cartões Vermelhos

Depois de uma semana de ansiedade chegou o domingo. É dia de jogo do ABC com o Sergipe (que veste vermelho) pela Série C do Campeonato Brasileiro. Como ando com um azar daqueles, resolvo não sair de casa antes da hora de ir ao jogo; “melhor não ariscar”, vai que indo à praia me machuco ou coisa do tipo e não posso ir ao Machadão. Quanto a fase de azar não me preocupava, afinal estou com azar em várias esferas de minha vida, mas principalmente no amor, e como se costuma dizer “azar no amor, sorte no jogo e vice-versa”. E essa máxima deve ser verdadeira já que nos anos anteriores tive uma sorte danada no amor e o ABC não ganhou nada, mas só teremos certeza disso se o Mais Querido subir para a Série B esse ano, porque estou com tanto azar no amor, mas tanto, que não pego nem gripe ultimamente.

Já na tarde de domingo, visto então a minha camisa com assinatura de nosso ídolo maior, Sérgio Alves, que está de volta a sua verdadeira casa e sigo sozinho em direção ao Machadão. Chegando na bilheteria do estádio tive certeza que seriamos vitoriosos no jogo de logo mais, afinal foi Dudé (com seu Megafone) o primeiro torcedor que falou comigo, um bom presságio!

Na fila para entrar no Machadão um bebum, derramou cerveja em mim, enquanto ele me pedia desculpas, eu ria feliz, algo parecido aconteceu comigo naquele dia em que Sérgio Alves marcou, de bicicleta, o gol mais inesquecível que já vi no Machadão; só podia ser outro presságio.

Na frasqueira os 9 mil torcedores do ABC estavam tão felizes que pareciam mais de 15 mil. Juro, não tinha mais espaço livre na frasqueira, ou a animação da Nação Alvinegra ocupava quase todos os espaços do Machadão ou o cara que contou o número de torcedores não sabia contar, prefiro a primeira hipótese.

Que festa linda a entrada do Mais Querido em campo!

Bola rolando o ABCZÃO, mandava no jogo, um show: Marciano para Sérgio Alves, Sérgio Alves para Ivan, Ivan para Sérgio Alves, Sérgio Alves para Barata.... UUUUhhh! Quase! E mais para trás Dário era o motor alvinegro, na defesa Bruno Lourenço e Marcão garantiam a nossa tranqüilidade. Jogo Fácil!

Um torcedor (des)conhecido me perguntou qual era o meu palpite de placar e respondi 3 X 0 para o Mais Querido, quando Marciano faz boa jogada e passa para Barata livre mandar para as redes, ele, o (des)conhecido, me diz “você vai acertar”. Claro! Respondi para ele.

O Sergipe não era de nada, “um timeco fulero que só tava pontapé”. E de tanto dá pontapé teve um dos seus jogadores expulso. Aí começava os nossos problemas.

O cartão vermelho do árbitro devia ter alguma mandinga, ou catimbo, olhe que não acredito nessas coisas, mais o fato é que a expulsão de um jogador de vermelho deu mais força ao Sergipe, mesmo assim Barata marca o segundo gol, levando a frasqueira a loucura. Nessa altura da partida todos já falavam em goleada.

Mas o árbitro para ajudar o Sergipe expulsou o Treinador Vermelho impedindo que ele continua-se dando orientações erradas a sua equipe. Com a expulsão do treinador o Sergipe se organizou em campo.

No intervalo do jogo estava todo mundo eufórico com a vitória parcial. Criticas apenas para o garoto Nêgo, que de fato não mostrava seu melhor futebol.

Começa o segundo tempo: é hora da goleada!
Mas não contávamos com o que aconteceria no segundo tempo. Parece que o time do Sergipe foi beneficiado pelas expulsões. Eles estavam errando tanto que cada jogador que era expulso era um a menos para errar, e assim o time que acabaria com apenas oito em campo ia, a cada cartão vermelho, ganhando força e subindo de produção.

A goleado foi se transformando em frustração com os gols de Dero e Fábio Silva para o Sergipe. “Como diabos era possível uma coisa dessas?” O Sergipe chegou ao empate!

Sem percebe que a força do Sergipe vinha dos cartões vermelhos o torcedor vaiava o garoto Nêgo e se desentendia nas arquibancadas, cenas para esquecer!

O Nêgo sabia que o problema não era ele e sim daqueles cartões vermelhos (vermelho - a mesma cor do Sergipe) e assim arrancou pela direita do campo de ataque ao lado da frasqueira, que o vaiava sempre que tocava a bola, passou de todo mundo, cortou para a esquerda e com a pena canhota deu um chute de fora da área, uma verdadeira “bomba” que explodiu no gol vermelho derrubando o Sergipe, assim como os aviões de Bin Lade explodirão o WTC a exatos 4 anos, completados nesse 11 de setembro. Só que a “bomba” de Nêgo, explodiu como uma de bomba de alegria, trazendo paz para a frasqueira.

O árbitro ainda tentaria ajudar o Sergipe com um novo cartão vermelho, mas era tarde demais, no Machadão com ou sem mandinga quem manda é o ABC.

Nêgo foi o Bin Lade do bem, contra a mandinga vermelha.

Disso tudo tiro uma conclusão: se azar no amor é sorte no jogo, o time do Sergipe é formado só por “donzelos virgens”.

A Hora da Frasqueira

Torcida não ganhar jogo? Quantas vezes já ouvimos isso? Mas tenho minhas dúvidas quanto a veracidade dessa afirmação. Já assisti a Frasqueira vencer muitos jogos e tenho certeza que será assim domingo contra o Time Macho de Mossoró.

Todos ao Frasqueirão, nosso poema de concreto. Vamos a pé, de carro, de ônibus, a nado, de carroça, de avião, de disco voador ou tele transporte. Vamos de qualquer jeito para o Frasqueirão conquistar uma vaga para a final do Campeonato Estadual. Faça chuva ou faça sol a nação alvinegra não irá faltar ao seu dever cívico, moral, ético e patriótico de lotar o Maria Lamas e ganhar esse jogo, nem que seja no grito. Vamos vencer, nem mesmo que seja de 0X0.

Que me desculpe Nelson Rodrigues, mas a torcida mais iluminada do Brasil e do Mundo é a do ABC e não a do Tricolor Carioca, como o cronista gostava de afirmar. É a Frasqueira a mais apaixonada torcida do mundo e digo isso não porque sou abcedista, digo isso porque não existi no mundo uma torcida capaz de sofrer tanto quanto sofre a Frasqueira, mas nunca, absolutamente nunca abandona o Mais Querido.

Não é nas vitórias que se mede a força de uma torcida e sim na dor e a Frasqueira já passou no teste e com louvor, afinal já sofremos demais nesses últimos anos e continuamos acreditando. Agora é a hora de esquecemos um pouco as cobranças (justas em sua maioria), esquecemos as limitações técnicos da equipe e os problemas de organização para apoiar o ABC rumo a uma bela vitória que nos colocará nas finais e irá coroar a nossa volta ao Campeonato Brasileiro.

Nesse final de semana precisamos dormir bem, fazer uma alimentação saudável para garantir a disposição para pular e gritar nas arquibancadas e em todas as dependências do Colosso de Ponta Negra durante noventa minutos. E por falar em gritar, o melhor é evitar bebidas geladas para não afetar a garganta que será muito requisitada durante todo o jogo.

Nação alvinegra, não vejo a hora de ver nosso excrete entrar em campo com nossa linda armadura alvinegra inoxidável, cercado por dezenas de crianças, sob uma chuva de papel, a Banda do Elefante vibrando, a Gang Alvinegra dando um show a parte no Módulo III do estádio, que já é conhecido como o Módulo da Alegria e da Paz. Não vejo a hora de ver a Frasqueira entrando em campo, sem saí das arquibancadas.

Essa é a hora da Frasqueira, essa é a hora de nosso professor Ferdinando Teixeira, essa é a hora de nossos heróis, sim heróis! Porque ser herói não é ser craque, não é ter superpoderes e sim se superar e esses atletas se superaram e já conquistaram o que para muitos era impossível.

Aviso a nosso arqui-rival “Não deixe o ABC chegar as finais”, porque em finais, ninguém supera o Mais Querido.

AVANTE FRASQUEIRA!
VAMOS VOLTA AO CAMPEONATO BRASILEIRO!