sexta-feira, 14 de março de 2008

Tinha que ter sofrimento?

Uma vez me perguntaram: “porque tudo para o ABC é mais difícil, porque todas as nossas conquistas são com sofrimento?” e eu não soube responder. Durante o jogo com o ASSU, na noite do dia 12 de março de 2008 pelo segundo turno do campeonato estadual, fiquei pensando nessa pergunta e na ocasião não achei uma resposta concreta.

Refletindo melhor acho que o problema reside não na falta de resposta a essa pergunta, mas na própria pergunta. A pergunta correta seria: “porque o ABC não desiste nunca, apesar das dificuldades e do sofrimento?” Elaborada dessa forma, podemos tentar encontrar uma resposta.

O ABC é feito do mesmo material do qual são feitos os heróis do dia-a-dia. É feito do caráter de um bom pai, da dedicação da melhor mãe, do amor por um filho, da cumplicidade de um irmão, da confiança de um amigo, da paixão de namorados. O ABC é feito da mesma coragem de homens e mulheres que lutam para sobreviver em uma sociedade desigual e injusta, é feito da mesma garra com a qual os mais humildes enfrentam a vida, é feito da mesma solidariedade que alguns poucos abastados têm com os desfavorecidos. O ABC é feito por gente que sorri e chora, gente que sofre, abainha, cai, mas se levanta e continua lutando com força e dignidade. O ABC é feito por mim e por você. É feito pelo jovem mais humilde da periferia da cidade e pelo empresário mais afortunado e nas arquibancadas do Frasqueirão: eles se abraçam como amigos para comemorar uma vitória ou chorar uma derrota.

Sim! Essa é a única resposta que encontro para essa pergunta. O ABC precisa seguir em frente porque não lhe resta outra saída, é lutar ou perecer, e é isso que lhe faz grande e vitorioso, a necessidade de sobreviver a pesar das dificuldades, o passado glorioso e o sonho de um futuro dourado, o mesmo sonho que alimenta sua apaixonada torcida.

Dessa forma, não vai ser vários jogos sem vitória ou mais uma derrota dentro do Frasqueirão para o Camaleão do Vale (a última foi a quase um ano em 18 de março de 2007 também pelo campeonato estadual) que vai nos fazer desistir, muito pelo contrário.

No ano passado quando perdemos de cinco diante do ASSU em pleno Frasqueirão levantamos a cabeça e demos a volta por cima e agora não será diferente.

O momento é de união. A diretoria e o conselho precisam de apoio e confiança para fazer as mudanças necessárias, os atletas precisam da confiança e ajuda da torcida e a torcida só precisa continuar sendo a boa e velha Frasqueira de sempre.

Precisamos continuar juntos, porque por maior que seja um elefante ele só pode sobreviver e ser arrasador junto com a manada.

Assim vamos continuar juntos e nos inspirar na garra de um novo elefante que só se juntou a manada recentemente, mas já mostrou que sabe honrar a amadura alvinegra inoxidável que veste. Waldir Papel vem cumprindo e honrando seu papel e demonstrando que não faz o papelão de usar salto alto, prefere as sandálias da humildade e se todos seguirem seu exemplo, as vitórias viram.

Acredito nesse grupo e acredito no ABC, confio na conquista do 50º título estadual, mas sei que esse título, como todos os outros 49 anteriores, só será conquistado com muito sofrimento, bem ao estilo ABC.

2 comentários:

z e n i t t e disse...

Concordo plenamente com sua análise. Aliás, por esse lado tão humano, comum e ao mesmo tempo extraordinário é que a Frasqueira é, não só a maior, como a mais apaixonada torcida de futebol do nosso Estado. Talvez não acredite tanto quanto você neste grupo, acho que precisamos de mais, merecemos mais. Porem, acredito na Frasqueira e acredito no ABC que é bem mais que um clube de Futebol, é uma forma poética de descrever a vida dos que amam viver. Com vitórias, derrotas, vexames, heroísmo, paixões e loucuras. Viva o ABC, viva a Frasqueira.

Um abraço de seu Amigo Leonardo (Outro apaixonado pelo ABC)

BichigaTaboca Produções disse...

que boiolagem é essa mermão, só podia ser abcedista mermo...