quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

O Elefante estava com Amok

Acabei de assistir pela 49ª vez os gols do “Massacre do Frasqueirão” e só agora me sinto habilitado para escrever sobre tão sublime vitória, sobre tão fantástica goleada, sobre o maior espetáculo da terra potiguar, sobre a final mais deslumbrante dos últimos anos, sobre o título mais difícil das nove décadas de história do Mais Querido.

A jornada foi árdua, como todas as conquistas alvinegras. Tudo que o ABC conquistou em sua história foi com muita luta, garra e suor e não poderia ser diferente dessa vez, mas não prevíamos que fosse tão difícil.

O Mais Querido fez uma campanha irregular: empatou com o Baraúnas, perdeu do Macau, empatou com o Potiguar de Mossoró dentro de casa, perdeu do maior rival e, pior ainda, foi goleado pelo ASSU, em pleno Frasqueirão, por um sonoro 5 X 0.

Tudo parecia está contra o ABC, os adversários, setores da impressa; a sorte.

A auto-estima da equipe estava baixa, os atletas pareciam cabisbaixos, os gols não saíam nunca. Até aqueles que por onde passaram foram artilheiros, não conseguiam colocar a bola para dentro das redes. Mas quando tudo parecia perdido cinco fatores determinaram a reviravolta da equipe. A ação da diretoria que confiou nos atletas e na torcida; o Estádio Frasqueirão, que permitiu aos jogadores exibi seu melhor futebol e aproximou torcida e atletas; a chegada do genial professor Ferdinando Teixeira (que mais do que ninguém merece o título de professor, pelo que fez pelos seus alunos e pelo que faz com seus comandados); a superação e a garra dos atletas que nunca desistiram, mesmo quando as sombras mais escuras pereciam impedir que o sol brilhasse para eles. E especialmente a Frasqueira, que em momento algum deixou de apoiar o Mais Querido, propiciando um show à parte nas arquibancadas.

Todos esses fatores juntos não poderiam dá outro resultado: o Elefante acabou com amok.

Na definição do mestre Nelson Rodrigues “Amok é uma loucura de elefante e que o faz arrasar cidades, a marradas”.

E foi assim na final, todo o time e a Frasqueira enlouqueceu. A Frasqueira nas arquibancadas, cadeiras e camarotes demonstrou que poderia vencer o campeonato literalmente no grito e os atletas dentro de campo se superaram e superaram o todo poderoso Dragão, um mostro gigantesco, mas com os pés de barro.

Foi um confronto de titãs. O Elefante calçado com as sandálias da humildade de um lado e o Dragão de salto alto do outro. A maior torcida do Rio Grande do Norte de um lado e a torcida que sonhar ser a maior do outro. A humildade de um lado e a prepotência de outro. A vontade de um lado a apatia de outro.O alvinegro de um lado e o alvirrubro de outro. Wallyson de um lado e Souza de outro. O sol de um lado e a chuva de outro. As lágrimas da glória de um lado e o choro dos derrotados de outro.

Foi um espetáculo inesquecível, para ser lembrando para sempre, vertiginoso, sublime, in-des-cri-tí-vel. Seria uma perda de tempo tentar descrever o que houver na final do campeonato potiguar de 2007. Só quem testemunhou o “Massacre do Frasqueirão” sabe do que estou falando, quem quiser ter uma idéia (remota) do que falo é melhor tentar ver o videoteipe do jogo.

Foi uma lição de vida na qual os humilhados foram exaltados.

Além de um muito obrigado ao ABC por mais essa alegria, diante de um vitória de 5 X 2 em uma final contra o arqui-rival América, só me resta repetir as palavras do eterno Nelson Rodrigues:

“Não é normal, amigos, não é normal. Essa fúria de gols tem algo de patológico. Quero crer que é realmente o amok que potencializa o nosso quadro e parece torná-lo apavorante, imbatível”.

Que o ataque de amok continue no campeonato brasileiro.

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