quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Sandálias da Humildade

Na infância jogamos bola com os pés descalços em campinhos de terra ou no calçamento, quando muito, usávamos o bom e velho Kichute (para os mais novos podemos dizer que Kichute era um tipo de tênis que poderia ser usado como parte do uniforme escolar ou para jogar bola). Ainda na infância descobrimos que as equipes de futebol usavam chuteiras durante as atividades futebolísticas. Descobrimos também, que pelo menos um clube de futebol não usava chuteiras, mas sandálias, sandálias da humildade.

Crescemos e nos acostumamos com meninos jogando bola descalços, times de futebol usando chuteiras e o ABC usando sandálias da humildade, com a mais singela simplicidade que só os verdadeiramente grandes possuem. Sim, porque só os grandes são legitimamente humildes.

Nas últimas semanas descobrimos que além de chuteiras e sandálias da humildade, existe uma equipe que joga bola de salto alto, na verdade altíssimo; um salto 15 pelo menos.

No entanto parece que salto alto não é um equipamento adequado para a prática do esporte bretão, ao contrário das sandálias da humildade que aumenta a disposição de jogar, que estimula o atleta a disputar todas as bolas, que permite o melhor desempenho futebolístico. O salto alto faz a equipe que o usa ficar lenta, parada em campo, derrotada antes mesmo do início da partida e o que é pior, cair da altura do salto alto é muito mais doloroso.

Foi isso que assistimos no último domingo no Frasqueirão. Uma equipe de sandálias da humildade jogou um belo futebol e outra de salto alto, literalmente caiu do salto.

Mas apesar da queda com a cara no chão o hábito de usar salto alto não foi deixado de lado, foi só a partida acabar para a arrogância e a soberba voltar, com acusações falsas, pendengas judiciais, mentiras e fofocas. Nada parecer ser capaz de remover esses saltos vermelhos dos pés desses homens que acreditam em vitória de véspera. Mas quem sabe uma surra de sandália não possa fazer com que eles caiam em si e percebam que é a humildade a mais poderosa arma dos grandes, o segredo dos vitoriosos.

No próximo domingo estaremos no Frasqueirão literalmente incendiando o estádio como fizemos no último clássico e todos - atletas, comissão técnica, diretoria e torcedores - calçados com sandálias ou chinelos da humildade, vamos aproveitar e fazer festa, lutar humildemente até o fim pela vitória, que se não vier não irá calar nosso grito de: ABC ATÉ MORRER!

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