quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Raça

O Mais Querido se prepara para mais uma “decisão” no Campeonato Brasileiro, agora diante do Nacional de Patos e leva na bagagem da viajem para Campina Grande um elemento que vem sendo dos mais determinantes para o seu sucesso na competição: a RAÇA!

Sim! Foi com muita raça que o alvinegro potiguar chegou ao octogonal final e mais do que nunca essa raça, essa coragem, essa vontade de vencer, essa determinação pelo sucesso, esse empenho em busca de vitórias será fundamental.

A equipe tem qualidade técnica e habilidade a altura de qualquer adversário, tem craques da envergadura de Wallysson, Nêgo, Juninho Petrolina, Raniere, Ben-Hur e Alan, mas em decisões é a raça que costuma fazer a diferença.

Mesmo na derrota na estréia no octogonal e no empate diante do Atlético/GO em casa, pode ter faltado tudo, mas ninguém pode dizer que faltou raça.

E no clássico nordestino contra o E.C. Bahia o ABC arrancou uma vitória com muita raça dos jogadores e da torcida, que mais uma vez “entrou em campo” e, sem sair das arquibancadas, jogou junto com o Mais Querido, dividindo corajosamente todas as bolas e dando chutões sempre que necessário.

Quando o ABC entrou em campo o lindo e gigantesco bandeirão da Frasqueira estava “enrolado” e não abriu direito, parecia um mau presságio para os mais supersticiosos e o Bahia saiu na frente ainda aos três minutos de jogo e de repente o inacreditável aconteceu: a Frasqueira ficou em silêncio! Coisa rara de se ver. Mas foi por pouco tempo, logo as 14 mil vozes se levantaram e empurraram o Mais Querido para uma virada majestosa ainda no primeiro tempo. Mas o bandeirão continuava “enrolado”, não abrindo adequadamente após os dois gols do ABC, assim como o jogo que continuava difícil.

- Seria alguma macumba baiana? Perguntou uma jovem que pela primeira vez ia a um jogo de futebol. Tímida ela comemorou o primeiro gol alvinegro apenas se levantando e aplaudindo. No segundo gol ela levantou, gritou, pulou como louca, abrasou calorosamente todos ao lado.

Ainda no início do segundo tempo o E.C. Bahia consegue chegar ao empate. A jovem iniciante em futebol já agia como veterana, reclamava da arbitragem e dos passes errados, tecia comentários técnicos e gingava como profissional em arquibancada. Era cada palavrão que fale o registro de alguns: lazarento, pé podre, bexiguento, infeliz das costa oco, abaitolado, chechelento, diabo-a-quatro, frescar, abestado, esculhambado, checheiro de uma figa, fuleragem, ingebrado, marreteiro, atroado (o que é isso?), peia, babaquara, Vá pra ponte que caiu! E outros que não podem ser repetidos. A menina e seu palavreado era um espetáculo à parte. Mas uma coisa não se pode negar ela tinha, como nossos atletas, muita raça só que não na ponta da chuteira e sim na ponta da língua.

Mas parecer que a voz da jovem moça e dos demais presentes conseguiram multiplicar a determinação da equipe que marcou 3X2 e depois 4X2 e o bandeirão abriu defeito, assim como o futebol do Mais Querido, que mesmo sofrendo mais um gol no final do jogo, conquistou uma vitória memorável em um jogo com sete gols.

E a nossa jovem garota, que tenho certeza gostou da experiência e vai voltar outras vezes ao Frasqueirão, soltou mais uma das suas: “Vão se bora bando de madinqueiro do Abaeté. Aqui o ABC não tem medo nem do cão comendo mariola”.

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