segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O vôo do menino

O menino cresceu, cresceu rapidamente, cresceu dá noite para o dia. Cresceu tanto que já é homem feito. Cresceu ali na frente de todos, chorando ao lado do alambrado de sua casa, o Frasqueirão.

De um desapercebido processo, que há muito se acumulava, eclodiu o homem que agora busca conquista o mundo, perseguindo seus sonhos a tanto cultivados. Ali, diante de todos, o Guerreiro Menino chorou como criança pela última vez. Ao deixar jorrar as lágrimas em sua despedida do ABC e da Frasqueira, o garoto Wallysson se transformou em Homem, deixou para trás os folguedos e brincadeiras de menino. O choro contido foi lhe inundando o corpo, se transformando em pranto e afogando a criança que ainda carregava no coração.

Wallysson, ao se despedir do ABC e da Frasqueira se despede também de sua casa, de sua terra e do menino que foi. Deixa para trás o pião e a bola de meia, as bilocas e as peladas na rua; deixa para trás os festejos na chuva, o prazer de anda descalço; deixa para trás as pipas e roladeiras, os banhos de rio e maré, a vontade de ser peixe, as escaladas em árvores; deixa para trás o desejo de ser nuvem, de voar feito passarinho, os carrinhos de brinquedo e os álbuns de figurinhas. Deixa para trás a infância de privações e dificuldades. Deixa para trás o colo de mãe, os dias de menino e em seu lugar entra o profissional, o atleta. Deixa para trás as brincadeiras e assume sobre os ombros as responsabilidades de Homem.

O menino precisa crescer, precisa ser homem, precisar alçar vôo, mas tem medo. Ele sabe que já pode voar livremente, mas o primeiro vôo solo é sempre o mais difícil. Mas não se preocupe menino, todo guerreiro já ficou com medo de entrar em combate, todo guerreiro já teve que fazer o que era preciso, mesmo quando seu coração dizia não. É por isso que és guerreiro, porque sabes, ao contrário de muitos, não apenas o caminho, mas também tens a coragem de segui-lo.

Durante o jogo do “Muito Obrigado” com o Barras a Frasqueira mostrou que pode ter vários defeitos, mas não tem o abominável defeito da ingratidão. O Barras, que ao vencer o Atlético/GO na rodada final do Campeonato Brasileiro da Série C de 2007, permitiu o acesso do Mais Querido a tão sonhada Série B, recebeu todos os agradecimentos do ABC e de sua apaixonada torcida, sendo aplaudido de pé. Assim como todos os atletas e comissão técnica do Time do Povo, em grande parte potiguares ou advindos das divisões de base do ABC. O Barras ganhou também a simpatia e a torcida da Frasqueira que espera vê-lo em breve na Série B.

Mas nessa noite o nosso maior Obrigado foi para Wallyson, que retribuiu agradecendo o apoio e a confiança da Frasqueira e do ABC. Ele, o Guerreiro Menino, recebeu todas as merecidas homenagem e já substituído no jogo, demorou a sair de campo retardando ao máximo a sua despedida.

Vá menino, agora homem-feito, vá voando para terras distantes a procura de seu sonho e não pare de lutar, porque você deixou de ser menino, mas não deve deixar de ser guerreiro. Vá que de agora em diante serás conhecido como Wallysson Furação e logo estarás usando uma nova armadura verde-amarela com a qual irá conquistar o mundo.

Vá, alce vôo para o horizonte, voe o mais alto que puder e se mais tarde cansar de ser homem e sentir saudade de ser criança é só voltar para seu ninho, que aqui estaremos de braços abertos prontos para chamá-lo novamente de nosso menino, nosso Guerreiro Menino. Prontos para agasalhá-lo com sua armadura alvinegra inoxidável com a qual sempre poderá voltar a brincar e ser feliz, porque és filho da Frasqueira e para nós sempre serás um menino.

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